Afinal de contas, eles podem chegar aqui?

 


Pessoas alheias aos estudos espaciais ainda enxergam temas como a taxonomia das hipóteses sobre UAPs pela ótica da antiga discussão sobre a existência ou inexistência de seres alienígenas entre nós. Mas o que os governos analisam hoje já superou essa fase, que se manteve até o início  deste século. Não havia mais como sustentar que milhares de avistamentos que acontecem no mundo inteiro não passariam de obras de ficção, ilusão de ótica ou fruto de histeria coletiva. 

Com o advento de microcâmeras de alta potência, e ao alcance de qualquer cidadão, seria ingênuo imaginar que se pudesse convencer tanta gente que tais fenômenos nunca existiram, ou que somos a única espécie inteligente num macrocosmo de 2 trilhões de galáxias apenas no universo observável. 

Só pra entender: a estrela mais próxima do nosso sistema solar, a Próxima Centauri, se encontra a aproximadamente 4,2 anos-luz de distância. Traduzindo em números que nosso cérebro consegue processar, um ano-luz é a distância que um raio de luz percorre em um ano inteiro, viajando a uma velocidade de 300.000 km por segundo. Significa que uma sonda que fosse enviada até ela alcançaria a estrela em algo entre 70 e 80 milênios, ou seja:  80 mil anos para alcançar apenas a vizinha imediata do nosso sol.  Dai se entender quão ridículo imaginar o nosso planetinha azul concentrando toda a vida inteligente num universo de tal dimensão. 

Daria então para os governos seguirem com a discussão em nível de existência ou inexistência? É evidente que não. Tanto que uma grande quantidade deles já franqueia seus arquivos sobre avistamentos anômalos a qualquer cidadão que os queira ver. No estágio  atual a pergunta é outra: Se “eles” estão aqui – como se aventa que estejam – como conseguem superar as enormes barreiras do espaço-tempo para percorrer distancias dessa magnitude, sem quebrar todas as regras da física que levamos séculos para descobrir? 

Outra pergunta que vem a seguir é: Isso invalidaria qualquer outra possibilidade de chegarem aqui? Teoricamente não, já que poderiam estar a anos-luz de nós não apenas em distância, mas em conhecimento que envolve, inclusive, domínio de tecnologias ou até  contextos de vida improváveis pelos nossos parâmetros. E é ai que entra a taxonomia das hipóteses sobre os fenômenos observados, que nada mais é do que uma lista de possibilidades inviáveis pelos parâmetros conhecidos da realidade factual, mas o simples fato de não as entendermos não muda a verdade intrínseca que trazem. 

E como a ciência, por principio, não pode descartar qualquer possibilidade, por mais improvável que se mostre, o debate já se fez comum nos meios acadêmicos. E a principal razão dessa extensa tipificação de fenômenos incompreensíveis a nós é uma tentativa de classifica-los em termos de probabilidades, ainda que estranhas a tudo o que conhecemos. 

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