Ufologia e Religião – Essas duas coisas se misturam?
Dez religiões mescladas com ufologia
Como estudiosos de um fenômeno cada vez mais presente em nosso cotidiano cabe-nos, antes de fazer julgamentos de valor, exercer o papel reservado a qualquer pesquisador que se respeite: questionar! Questionar tudo e sempre, antes de tomar como verdadeiro o que quer que se nos apresentem. Este texto se propõe, portanto, a levantar questões sobre algo cada vez mais perceptível, que é a mesclagem de ufologia com religião, de modo a se ter elementos para alguma hipótese a respeito. Nada do que se falará aqui tem a pretensão de se apresentar como conclusivo, muito menos como verdade, mas somente como uma reunião de elementos para análise e reflexão, como qualquer pesquisa que se norteia pela busca da realidade que possa conter.
Na esteira dos fenômenos ufológicos em franca expansão no
mundo inteiro, percebe-se um outro fenômeno correndo em paralelo e crescendo em progressão geométrica, talvez
até mais rapidamente do que a própria ufologia, que é o das religiões trazendo
o fenômeno UFO como pano de fundo. Daí a questão que dá título a esta nossa
análise: dá pra misturar religião com
ufologia? Ainda que se tente diferenciar seita de religião, vários estudiosos
apontam que as diferenças entre uma e outra fica mais por conta da perspectiva
de quem as analisa do que em questões de ordem prática. Quase todos os traços são
comuns, como a fé no sobrenatural, a crença em uma ou mais divindades que
criam, governam e ordenam o mundo natural, a dispensa de evidência ou
comprovação pela ciência, e a fé em “milagres” definidos como uma intervenção
direta sobre a criação por vontade divina.
O ponto divergente seria o sentido etmológico da palavra “seita” que acaba esbarrando num aspecto essencialmente humano: seita vem do latim secta, que significa seguidor. Normalmente nascem por iniciativa de alguém que diverge do pensamento tradicional e reúne seguidores em torno de si para difundir essa nova forma de pensar. Sabe-se que Jesus nunca fundou uma religião, pois que o cristianismo surgiu no ano 64 d.C., 31 anos, portanto, depois de sua morte. Mas teria fundado uma seita, pois reuniu seguidores em torno de si (os apóstolos) para realizar uma ruptura com o judaísmo, que era o credo comum aos habitantes da Galiléia. Antes de se transformar num culto a Deus, o cristianismo começou pelo culto ao homem que lhe deu origem, para mais tarde autodenominar-se como uma nova religião, o que de novo traz à baila a questão da perspectiva de quem analisa os fatos. Não é incomum, no entanto, que uma seita seja vista de um modo bem mais pejorativo que uma religião, e a explicação é que antes da transição entre uma e outra, o foco está concentrado sobre seu fundador, o que potencialmente amplia o risco para os que estão em torno dele, pois que lhe cabe a escolha de rumos que estarão sujeitos a equívocos de natureza humana.
Uma vez entendidos tais conceitos sob a ótica religiosa, e para que possamos ensaiar alguma resposta para a nossa questão central, partiremos agora para avaliar a compatibilidade entre os dois assuntos que nos interessam: a ufologia e a religião, que até bem pouco tempo não apenas de mostravam distintos, mas até contrários em função dos princípios sobre os quais se assentam. Basicamente ambas lidam com o desconhecido, mas enquanto uma trabalha para reunir evidências físicas e concretas, a outra se mantém no plano do abstrato e do imaterial. Seria possível, então, fazer a associação entre coisas aparentemente tão opostas? Os que professam sua crença nessas seitas ou religiões de cunho ufológico apostam que sim, mas nossa abordagem objetiva ir um pouco mais além, como descobrir se essa mistura resulta em ganhos ou perdas para a humanidade enquanto espécie, já que ficamos todos submetidos aos rumos para os quais nos direcionam.
Sabemos que tudo não se resume a essa visão binária, pois que cada lado tem variáveis que emprestam mais complexidade ainda à nossa discussão. Pelo lado da ufologia se verifica uma escala de público que a trata de forma bastante distinta em termos de motivação: indo desde o escárnio, passando pela curiosidade, até o interesse real em se chegar à verdade dos fatos. No que toca às religiões a escala revela um público mais homogêneo em termos de proposta, mas diferenciado no grau de adesão a ela, que pode reunir o carente de um sentido de pertencimento, o inseguro buscando por acolhimento e proteção, o “buscador” sincero atrás de sentido espiritual, o radical que une forças em torno da bandeira comum, e até o oportunista atrás de poder, prestígio ou ascensão social. Analisadas assim mais detalhadamente em suas particularidades, o que se nota é que as diferenças entre os dois grupos se acentuam, e as similaridades se revelam mais diluídas, afastando-as ainda mais uma da outra.
Chegamos então ao foco de nosso questionamento: se seria possível ou não juntar as duas coisas, e a partir deste ponto a resposta vai variar bastante conforme o observador. Olhado pelo viés da lógica e do pensamento científico fica mais difícil assimilar a compatibilidade entre as duas vertentes, ainda que diversas correntes defendam o contrário. Algumas delas – como a igreja católica, por exemplo – tendem a ver seres de outros mundos como parte da criação e, portanto, tão físicos quanto nós e submetidos ao mesmo Deus. Por esta ótica não há conflito de visão: uma outra raça inteligente seria equivalente à descoberta de uma tribo isolada no meio da floresta, simplesmente, que facilmente poderia ser trazida ao convívio comum. Outras religiões mais fechadas (como a dos pentecostais) tratariam o assunto como “produto do mal”, já que tudo o que escapa aos seus livros sagrados não é obra de Deus. A postura então é de combate à simples ideia da existência de ETs, vistos como seres espirituais provenientes das trevas. Para um terceiro grupo (como o dos kardecistas) o físico e o espiritual se fundem numa mesma perspectiva de seres em permanente evolução espiritual, tal como seríamos, mas vivenciando uma experiência diferente da nossa. Para outro grupo ainda menor, a figura desses seres se mistura à de suas divindades, resumindo sua presença entre nós à mera questão de nomenclatura.
Com mais essas particularidades recaindo sobre cada subgrupo, chega-se mais próximo do entendimento de que ufologia e religião não se mostrariam compatíveis, em vez do inverso, e que a tentativa de aproximar as duas coisas não iria além da tentativa de atender interesses humanos pela conciliação – forçada, em se seguindo essa tese – de assuntos que possuem trajetórias distintas correndo em paralelo, mas que não se fundirão em nenhum momento. É claro que não há unanimidade em qualquer questão humana, notadamente sobre as que não possuímos domínio, mas quando se analisa a questão pela linha da lógica, essa visão acaba se impondo, principalmente quando entramos mais fundo ainda na questão dos “interesses humanos” mencionados acima.
Que tipo de interesse, por exemplo, poderia nortear o raciocínio de fundadores de “religiões ufológicas”, para eleger o tema dos UFOs como pano de fundo para suas seitas? A resposta seria: muitos! Se interessar a alguém atrair uma massa expressiva de pessoas para a crença que se pretende difundir de modo a atingir a maior parcela possível da população, e ufologia se apresentaria como um atrativo que nenhum outro dogma conseguiria igualar pela própria natureza de que se reveste, justamente por conseguir reunir um público que, por se mostrar tão amplo em sua heterogenia, não cria obstáculos à sua contínua expansão. As razões são óbvias: por natureza o ser humano precisa do que o faça sentir-se especial, acima do mediano ou que o coloque em posição privilegiada em relação aos demais. Daí sua necessidade de buscar por algo que o diferencie e esteja acima dele, de modo a se perceber “agraciado” por tal deferência. Poderíamos considerar esse sentimento como uma espécie de “síndrome do escolhido”. É aquele esforço que faz para ver a si mesmo de uma forma que o retire do lugar comum, dando-lhe uma posição de destaque em relação a seus iguais.
Se olhado pela ótica do fundador da seita, o que nortearia seus passos para que seu intento obtenha êxito? Uma crença pessoal legítima? Um oportunismo pegando carona em assunto que envolve um número cada vez maior de simpatizantes? Mero exercício criativo baseado em ocultismo especulativo? De um modo geral, o método revela pouquíssimas alterações, independente da religião que se funde:
1)
criar uma narrativa dogmática que contenha um
forte apelo para atrair seguidores;
2)
definir a relação de causa e efeito; os que se salvam e
os que se perdem;
3) compor uma doutrina que dê destaque à luta entre
o bem e o mal: ignorar ou figurar
entre os “escolhidos”;
4)
focar na “mensagem divina” que lhes serve de
bússola;
5)
impor um dízimo que compre a cota reservada ao
fiel;
6)
converter a ideia original num império indestrutível;
7)
garantir sua expansão permanente, onde apenas o
céu é o limite;
8)
manter o prenúncio de um apocalipse iminente em
prazo não definido;
9)
apresentar um messias para guiar e reconduzir as
“ovelhas que se afastem do rebanho”.
Note-se que a cada novo detalhamento a distância entre a Ufologia e a Religião parece ampliar-se ainda mais, deixando ainda mais evidente uma provável incompatibilidade entre elas. Vamos à explicação dos itens listados:
1.
Item 1 – A “narrativa dogmática”
é o conteúdo que é disseminado entre os seguidores como norte para suas ações e que precisa impactá-los o bastante para que desejem juntar forças para
torna-la possível. Que tipo de “dogma” se faria mais atraente do que algo que
se revela cada vez mais presente na vida de todos, e parece em vésperas de provocar profundas mudanças na vida de todos em curto prazo? Se
pensarmos que as religiões tradicionais trabalhavam com um objetivo de prazo
indefinido (a salvação) sem apresentar nenhum elemento concreto que pudesse ser
visualizado, a ufologia muda drasticamente essa perspectiva, pois que “a
mudança de status” pode ser sentida, vista e ouvida, como algo observável ou sendo filmado
percorrendo o céu, ou através de uma experiência dita real que pode recair sobre qualquer pessoa. Além disso não há limite para o público a ser contemplado, uma
vez que não distingue incrédulos de céticos, nem curiosos de pesquisadores.
Item 2 – A relação de causa e
efeito – se houver esforço se chega à salvação, e se não houver, o indiferente
encontra a perdição – é mais um componente preponderante às religiões, mas que não existe
em se tratando do fenômeno UFO. A fusão, portanto, se mostraria interessante aos
olhos de quem não tem como lógico o conceito de recompensa vs. punição, mas não se distanciou
da espiritualidade que não exclui nenhum segmento, do crédulo – que
não se sente seguro o bastante para abrir mão da fé – ao cientista, que tenta
entender a conexão entre o físico e o sutil em sua essência. Em suma: juntar
religião com ufologia abriria um campo inesgotável para abarcar todos os perfis e com
forte componente de fidelização, se olhado pela
ótica de seu fundador. Fica clara a vantagem de se reunir num único bloco
aficionados por enigmas e mistérios, religiosos, curiosos, os emocionalmente
inseguros, ufólogos e até cientistas das mais diferentes matizes.
Item 3 – No que diz respeito a
composição da doutrina, nada mais elástico e acolhedor do que um tema que tanto
atenda o desejo de recompensa dos religiosos quanto o apurado senso crítico do
cientista. Este último, notadamente, sabe que não lhe será cobrado substituir
sua linha de raciocínio em nome da fé, já que uma coisa não impediria a outra,
como naquelas religiões em que a eventual existência de um fenômeno como o dos
UFOs seria tido como “coisa do diabo”. Dessa forma ele poderá exercer seu lado
prático em sintonia com o sutil inerente à sua espiritualidade, mantendo-se
portanto no grupo dos “escolhidos”.
Item 4 – Outra enorme vantagem de
trazer a ufologia para dentro da religião se verifica na tradicional ênfase
dada à “mensagem divina”. Se essa mensagem é passada pela imagem mítica de Deus,
ela se mostra distante o suficiente para não atrair aquele indivíduo que
norteia até a escolha de seus princípios dogmáticos pela coerência que eles lhe
transmitem. Não é difícil pensar com a
cabeça de um cientista que não abdica de suas análises para aceitar um deus
cruel e vingador como o mostrado no Antigo Testamento, por exemplo. Ficará bem
mais fácil trazê-lo a defender uma crença que interpreta como abdução por Ets o
arrebatamento de Elias ou de Enoque aos céus, em lugar de lhe impor interpretar
essas passagens exatamente como os cristãos dos primeiros anos do cristianismo.
Um raciocínio pragmático tende a aceitar como mais provável uma mensagem
recebida de um extraterrestre – de igual para igual e sem nenhum conteúdo
messiânico – do que a de um ser divino usando
um portador humano para que sua mensagem seja levada a todos os povos da terra,
até porque o cientista dificilmente se verá encaixado nesse papel de
“escolhido” especialmente nomeado por Deus.
Item 5 – A questão do dízimo, de
que poucas igrejas abrem mão – se é que tem alguma – é o lado mais mundano e
concreto dessa complexa relação entre o divino e sua criação. Não seria exagero também referir-se à parte
mais sensível e polêmica das religiões, já que a mais distanciada do espiritual
e trazida para o material. Não é estranho pensar na igreja como uma instituição
que, como qualquer outra, não vive de milagres e precisa ter uma fonte de renda
para se manter. Poder-se-ia ver então o dízimo como o lado econômico da
questão, que garante sua subsistência e lhe permite dar continuidade às obras
que se propõe a realizar. Mas também se sabe que essa não é a única finalidade
que atende, e a velocidade com que pastores enriquecem e criam impérios maiores
que o obtido por muitos governos ao redor do mundo não é segredo para ninguém.
A associação da religião com a ufologia, no entanto, facilita muito atribuir ao
dízimo um sentido mais nobre que o de simples “caridade” do fiel para ajudar
sua igreja. Ele se aproxima da uma “contribuição social” feita por cidadãos
conscientes a uma entidade sem fins lucrativos cuja missão é promover justiça
social, por exemplo. Quando se tem por trás uma grande proposta de transformação
que não privilegia segmentos (já que a inteligência extraterrestre, uma vez
comprovada, afetará a todos), é bem mais fácil obter quem deseje contribuir
para estudos que realmente mostrem resultados do que para uma obra que sequer
se sabe se chegará ao público previsto. O que consegue motivar mais um
doador: a ação do Green Peace que todos
assistem combatendo focos de incêndio na
Amazônia, uma doação ao “Médico sem Fronteiras” que depende exclusivamente dela
para salvar vidas, ou a oferecida a uma igreja que não se sabe se irá para as
obras ou apenas beneficiar suas lideranças? Não é difícil imaginar, portanto, a vantagem
de uma associação com a ufologia para transformar algo de simples caridade em
fundos para realização de pesquisas!
Item 6 – Este sexto ponto traz à discussão um dos seus argumentos mais simples para entender a vantagem de aproximar religião da ufologia. Enquanto uma igreja pode precisar de décadas para se expandir, ou de séculos se não tiver a frente um fundador com a visão de um empresário para transformá-la rapidamente num império, através da ufologia essa visão expansionista é uma premissa tida como base de sustentação. Nenhum ufólogo pensa a ufologia como assunto para ficar contido dentro das paredes de um laboratório, mas como algo que precisa que muitos coloquem todo empenho para sua rápida disseminação como objeto de estudo e assimilação pelas pessoas. Não há como ignorar, portanto, a contribuição que esse expansionismo natural da ufologia pode emprestar a uma igreja que pretenda se estender a todos os cantos da terra, já que a maioria delas não o consegue. O perfil de um Edir Macedo, como se sabe, não é o mais comum no meio religioso.
Item 7 – Seitas e religiões, como
se sabe, estão entre aquelas coisas que aparecem aos milhares todos os anos, e
desaparecem com a mesma rapidez, sem que a maioria de nós sequer tenha tido conhecimento de sua existência. O que mais poderia garantir uma expansão contínua
do que a vinculação com algo que se sabe jamais ter fim e que, literalmente, não
tem o céu como limite, mas como representação maior de sua infinitude? Seria
concebível pensar a ufologia como um modismo que dentro de algum tempo terá
passado, e ninguém mais falará no assunto? Então pense: se você quisesse
eternizar a organização religiosa que acaba de criar, ao que pensaria
vinculá-la para garantir que no ano que vem não esteja entre as que fecharam
porque não encontraram meios sequer de manter o interesse de seu público para o período seguinte? Até a
economia dos países podem passar por períodos de derrocada, como já aconteceu
no passado em alguns momentos, mas alguém consegue imaginar acontecendo o mesmo
com um assunto de estudo como o da Ufologia?
Item 8 – Nosso oitavo ponto é
algo bem revelador no que diz respeito às vantagens de aproximar ufologia de
religião, ao menos pelo ponto de vista desta última. Como é público e notório,
um dos fundamentos mais básicos das religiões é o de manter a ideia do prenúncio
de um apocalipse iminente. Ele funciona como uma espada posicionada sobre
nossas cabeças, e presa a um cordão que pode se romper a qualquer momento, não
é assim? Seus dogmas doutrinários o apresentam sob diferentes formas, mas nunca
lhes retirando o papel que precisam exercer no processo de vinculação “ad
eternum” do devoto à denominação religiosa a que pertence. Esse “acorrentamento”
do fiel à igreja, por efeito de manipulação baseada no medo, é uma prática que
nunca foi alterada ao longo da história pela maioria das religiões, notadamente
nas oriundas do cristianismo.
A ufologia, em contrapartida, não
define a natureza desse “evento apocalíptico”, que nos acostumamos a
interpretar como a revelação definitiva da permanência extraterrestre entre nós,
mas também não a coloca como determinante para o fim de nossa espécie. Algumas
décadas atrás era comum pensar-se no encontro aberto com ETs como uma guerra
entre mundos, onde teríamos que enfrentar um inimigo muito mais poderoso contra
o qual não teríamos qualquer chance de opor resistência. Ainda não se pode afirmar
que tal pensamento não permaneça em boa parcela da população, mas efetivamente essa
visão está restrita à minoria, já que a esmagadora maioria de nós passou a
ver o fato sob uma perspectiva extremamente positiva para a espécie humana. A lógica
é simples: todos os estudos realizados pela ufologia convergem para o
entendimento de que esses viajantes galácticos nos visitam há milênios e, caso desejassem nos conquistar ou aniquilar, com o poderio que revelam possuir já o teriam feito há muito tempo, dando a entender que não possuem tal objetivo. Até os relatos de abdução apontam para um estudo
de nossa espécie, como cientistas que estudam possibilidades de avanço, pois que não se sabe de pessoas que nunca foram devolvidas
aos locais de onde teriam sido retiradas.
Surgiram então teorias distintas
para tentar explicar a postura de não inteferência, como a de sermos descendentes
diretos deles, ou da teoria do “zoológico”, em que nos observariam para estudar
nosso modus vivendi, ou ainda que, como
responsáveis diretos por nosso surgimento, apenas nos observam para saber como
iremos evoluir por nossos próprios meios, após o período de “desmame” em que
dependíamos deles para sobreviver na superfície do planeta. Por essa ótica, os “religiosos
ufológicos” destes novos tempos estariam tentando trocar a visão fatalista de um
apocalipse associado ao pecado e à condenação eterna por um “momento
de transformação” da espécie humana, a exemplo do que ficou conhecido como “Prazo
Final” que foi protagonizado por Chico Xavier. Aí cabe perguntar: se você tivesse de
escolher entre queimar no inferno ou dividir o planeta com outra espécie que
teria muito para nos ensinar, qual seria sua escolha?
Item 9 – Nosso último tópico
apresenta o aspecto mais controverso da questão: o do novo papel dos "novos messias”
dessas seitas que defendem a mistura de religião com ufologia e que, por esta análise, apresentaria novidade apenas na imagem passada aos fiéis, mas na prática seguindo a mesma linha que sempre exibiu ao longo dos tempos. Na versão mostrada por essa "igreja ufológica", seus líderes costumam se
apresentar como intermediários entre esses seres galácticos e nossa espécie
humana. Até aí nada de diferente dos tantos avatares tomados como bússola para
os caminhos que trilhamos até aqui. Sempre foram mostrados como seres especialmente “plantados” em nosso meio
para nos alertar dos equívocos que cometemos, nos afastando do destino que nos
foi reservado pelo supremo criador do universo.
Esta nova versão adaptada à era dos UFOs, porém, parece se
mostrar ainda mais perniciosa que a anterior, pois que os profetas de então se
assumiam como tal, e o que vemos agora se assemelhariam a “lobos em pele de cordeiro”.
Via de regra não se apresentam como figuras crísticas, encarnando avatares de
nossas divindades ou se alardeando como profetas cuja missão seria o de
reconduzir as “ovelhas que se afastaram do caminho”. Uma vez que não se manteve a
perspectiva de um apocalipse que nos reduzirá a cinzas e arrebatará somente os
escolhidos para os céus, a doutrina precisou se adaptar aos novos tempos dessa “ufologia
dogmática”, de modo a que esses profetas assumissem a forma de “mensageiros”
desses seres de outros mundos. Mas quando analisado tal papel, vemos que não há
quase diferença alguma do anterior, a não ser pela pretensa humildade de se
colocar como um ser humano igual aos demais, e não como um “predestinado”, escolhido a dedo por Deus. Só que quando se compara os dois perfis, a diferença fica
só na capa, pois que o conteúdo se mantém igual: eles se auto nomeiam “transmissores”
da mensagem celestial, receberam a missão de conduzir a humanidade para que
esta alcance a “salvação”, como sempre ocorreu, e têm a deferência de escolher seus sucessores, de
modo a manter de pé a estrutura que levará a missão até que se cumpra, resguardando-se assim a prerrogativa de garantir sua continuidade.
As diferenças entre elas é que algumas dessas seitas se posicionam como aliadas de uma espécie que nos quer ajudar de modo a que não sucumbamos às “armadilhas” de outras que aqui estão para nos destruir. Já em outras versões, o “mensageiro” se coloca como intermediário entre nossa espécie “desgarrada” da Comunidade Maior e esses “seres de luz” do Cosmos a que precisamos nos reconectar. Em suma, uma novo “design” emprestado ao paraíso, bem como ao messias incumbido de nos conduzir até ele em um cenário que troca as túnicas e asas de anjos por astronautas cósmicos pousando com suas astronaves para nos reconciliar com nosso passado.
Apresentados os pontos observáveis de nossa hipótese sobre a “fusão” entre ufologia e religião, importante acrescentar que se trata de uma leitura racional diante da forma que essa nova configuração religiosa vem apresentando, para que cada um tire suas próprias conclusões ou avalie outras motivações pelas quais estariam se movimentando nessa direção. Interessante ainda acrescentar que um devoto de uma dessas organizações que leia este texto possa deduzir alguma intenção de atingir seu esquema de crenças, quando na realidade a ideia é oposta a isso.
Mas se até aqui falamos de religiões que incorporam a ufologia muitas vezes mais por oportunismo do que em decorrência de uma reflexão sincera, há também o outro lado, a das que rejeitam a ufologia até como premissa introduzida em sua estrutura dogmática, o que se mostra tão questionável quanto a motivação das primeiras. Pode-se até concluir que religião e ufologia não precisam vir misturadas, o que não significa que também se mostrem incompatíveis de forma a que se mantenha a crença em ambas, com cada uma em seu próprio quadrado.
Enfim, seguindo pela linha de buscar o
conhecimento - que é a proposta da ufologia - o que se faz aqui é uma provocação que abra espaço para questionamentos,
antes de nos concentrarmos apenas nas respostas. Sabe-se que muitas pessoas acabam exploradas em sua
boa-fé justamente por seu grau de pureza, que não lhes permite identificar a
malícia humana, e dessa forma se colocam como primeiras vítimas dos
mistificadores que as usam para o alcance de objetivos espúrios. Como em
qualquer meio, existem aqueles que buscam o melhor de si para levar os demais,
e os que buscam o melhor dos outros para beneficiar a si mesmos. A crença de
cada um é território sagrado, e tem que ser respeitado independente de qual
seja, a partir do momento em que esteja consciente de suas escolhas e não se
sinta restringido em sua prerrogativa de questionar tudo o que lhe chega. Em
assim sendo, o propósito final desta análise é permitir esse momento de
reflexão, e tornar mais difícil a tarefa dos que se dedicam a burlar a boa fé
de seu semelhante em proveito próprio.



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