Ufologia é só peça de ficção? Buscando respostas II

 










==================================================================================================



Acredito que consiga  entendê-lo perfeitamente, Júnior, tanto como pesquisador quanto pelo viés de minhas crenças, pois que percorri uma trajetória bastante próxima do que pude absorver na sua. Daí que achei interessante o modo como encara a ficção neste nosso universo 3D para me identificar com sua visão. 

Na realidade a ficção surgiu antes mesmo da História, cronológica  e antropologicamente falando, e a explicação é simples: bem antes de criar a escrita para registrar sua passagem pelo planeta o homem criava símbolos para transmiti-la a seus descendentes e os registrava em pedra, de modo a que não se apagassem. Sem conhecimento para explicar adequadamente o que ocorria em torno dele, passou a interpretá-los à luz do entendimento que trazia, e foi quando criou seus mitos e deuses ao constatar que tais fenômenos ficavam muito além de sua compreensão, como também muito acima de sua capacidade de lidar com os muitos perigos que o cercavam. Assim tudo o que via e não conseguia compreender, ele registrava da maneira dele, adaptando a aspereza e os riscos de sua realidade às muitas perguntas de seu cotidiano interior, e assim estava criada a ficção. 

Como é fácil imaginar, a História como objeto de estudo só nasceria milênios depois, quando num estágio evolutivo mais avançado esse homem que ainda engatinhava no conhecimento de si mesmo pode olhar para trás e comparar seu passado com o seu agora, surgindo a necessidade de desenvolver formas mais elaboradas para entender e registrar seu caminhar por meio da escrita que chegou até nossos dias. E aqui estamos nós nestes tempos de tecnologia global tida como avançada, mas que ainda está longe de nos livrar dos medos que nos aterrorizavam em nossos primórdios. Daí porque continuar o homem misturando realidade e ficção na tentativa de emprestar um formato inteligível aos enigmas inalcançáveis que esse universo  desconhecido continuará lhe impingindo, mesmo quando não estiver mais pisando o planeta.   

Este modelo de pesquisa em forma de perguntas e respostas traz a vantagem de permitir que eu me expresse na primeira pessoa, algo que como pesquisador não me cabe pelo necessário distanciamento a ser mantido do objeto de estudo. Mas no nível da espiritualidade essa barreira da forma não existe, e me é franqueado exibir, em toda a sua plenitude, minhas fragilidades emocionais frente a esse universo repleto de mistérios impenetráveis. Então posso divagar livremente e sem as amarras do meu próprio senso de ridículo, já que liberto dos grilhões da sensatez impostos pela pesquisa. E lhe digo que, como você, também vivenciei experiências que mudaram totalmente a percepção que antes trazia de mim e de tudo o que consigo ver à minha volta. 

As pessoas que se apavoram frente ao desconhecido – e por conta disso se apegam tanto às verdades que elas próprias construíram para escudar os seus medos – não têm ideia do que conseguiriam se os trocassem pela coragem do enfrentamento. É bem verdade que em alguns momentos tais experiências podem ser bem assustadoras – aterrorizantes até, pela ótica de nossos temores – mas incrivelmente transformadoras! Sem elas jamais poderíamos cruzar o portal que nos conduz a mundos inalcançáveis aos espíritos mornos que se escondem por trás de seus escudos. Só depois de atravessá-lo adquirimos a dimensão exata de sua importância na descoberta de maravilhas que jamais experimentaríamos, não fosse a decisão de desafiar os fantasmas que nos mantêm aprisionados pelas correntes do medo. 

Que bom saber que no seu caso o compartilhamento da sua experiência lhe fez bem pelo acolhimento que teve por parte de seus contatos. No meu caso não os compartilhei – pelo menos em todas a sua complexidade – com ninguém, exceto aquelas que a vivenciaram comigo. Não vou mentir que a vontade não aconteceu, como com você, mas acabei concluindo que os demais jamais conseguiriam senti-lo da forma como ocorreu a mim, e isso não contribuiria muito para o entendimento delas, já que cada experiência jamais será igual entre pessoas distintas. E se deveu também – e principalmente – à descoberta de que cada um de nós ocupa seu próprio degrau nessa imensa escada cósmica, e ninguém que esteja em algum daqueles abaixo do seu conseguirá enxergar o que você vê do ponto alcançado. Isso traz a dimensão da inutilidade de compartilhá-lo, bem como cumprir seu papel de contribuir na escalada deles sem buscar se espelhar na sua, pois que nunca lhes servirá de referência. 

É isso então, meu caro Júnior. Perdoe se me delonguei na resposta, mas suas colocações se me apresentaram tão ricas que não quis desperdiçar a oportunidade que me deu de lhe passar a integridade de minha visão a respeito. Desta forma cabe é a mim agradecer por isso, pois que este nosso diálogo me proporcionou um enorme aprendizado. Grato  por ensejá-lo e um forte abraço. Continuaremos sempre nos encontrando por aqui. 

 




/2.14

 

 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Taxonomia das hipóteses sobre a origem dos UAPs

Ufologia e Religião – Essas duas coisas se misturam?

A existência de Inteligência Extraterrestre poderá vir a público?