Quando atrás da ufologia vem a religião
No que toca a crenças, cada qual tem direito à sua, independente do quanto se mostre inverossímil. Sabe-se que basta um dirigente talentoso e um boa agência de marketing atuando na retaguarda para tornar sua doutrina bastante "lógica" e convincente aos olhos de potenciais seguidores.
Naturalmente encontrará muitos de seus seduzidos dispostos a defendê-la contra qualquer ameaça de desmistificação, mas é um direito dos dois lados fazê-lo, com a diferença apenas de que os que perderam o discernimento por indução o farão de forma mais enfática (ou fanática) que os demais. Não se pode criticá-los quando se pensa que ambos acreditam estar defendendo o lado certo, o problema é quando um deles age como se os fins justificassem os meios, e então a defesa descamba para o vale-tudo.
Não cabe ao pesquisador fazer julgamentos. Seu papel é debruçar-se sobre os fatos tentando reunir tantas evidências quanto possa, e delas
tirar conclusões a partir da relação de causa e efeito que lhes emprestem sentido.
Quando o foco do estudo se resume apenas ao formato tradicional da fenomenologia ufológica a tarefa se mostra bem mais simples; mas quando ele venha misturado a um tema tão controverso como o das religiões a pesquisa envereda pelo complexo dos labirintos mais profundos da alma humana, pois que acrescenta ao trabalho obstáculos intransponíveis e o transforma num enorme desafio. Isto porque entre o pesquisador e o resultado se introduz barreiras intransponíveis ao entendimento humano, uma vez que todos os componentes com que passa a lidar se apoiam no imponderável.
A um leigo pode parecer que estudos envolvendo "ufolatria" e ufologia deveriam ser colocados num mesmo patamar, pois que este último também é tratado por muitos no campo das crenças. Mas ao pesquisador não escapa a diferença abismal entre os dois assuntos já que o "sutil" fica apenas na semântica, mas não nos componentes com que se lida em cada um deles. O único ponto comum, entretanto, é o fato de ambos lidarem com o desconhecido, o que não é o bastante para aproximá-los já que um trata com o estranho e o outro com o duvidoso, um lida com o concreto, outro com o abstrato, mesmo que ambos lidem com o desconhecido.
A começar pelo fato de que, em se tratando de "evidências", há que se ter cautela quanto ao seu entendimento. Evidências da presença de vida extraterrestre entre nós, por exemplo se contam aos milhares, e elas não se restringem a avistamentos de OVNIs a distância, acrônimo para Objetos Voadores Não Identificados (Ou UFO - Unidentified Flying Objects, da sigla em inglês). Como se sabe, um OVNI é apenas algo que não se conseguiu identificar, independente de sua natureza ou origem. Não é desse tipo de evidência que falo, mas de outras muito mais consistentes, que a ufologia classifica como de 2º, 3º ou 4º grau para indicar o contato com outras formas inteligentes de vida.
Há várias maneiras para se compreender a manifestação do Fenômeno UFO. Pesquisadores sérios buscam entender e explicar porque estamos sendo visitados por civilizações mais avançadas do cosmos em termos metodológicos, com base em muita investigação e estudos. Esse é o caminho indicado para tratar do assunto. Mas há outro que prescinde da lógica e da razão, e busca um “atalho” para se compreender a manifestação de seres extraterrestres em nosso planeta. Trata-se de uma prática nova conhecida por ufolatria, um modo de tratar o Fenômeno UFO em termos religiosos, messiânicos e com grande porcentagem de fanatismo. Além de um caminho questionável para buscar respostas para o tema, é improdutivo e chega a ser nocivo para quem o pratica. Em geral agem assim os desiludidos com a dura realidade da vida cotidiana, escolhendo acreditar que estão sob proteção e um dia serão salvas por “irmãos cósmicos”. Isso lhes parece bem melhor e mais suportável do que encarar a vida de frente. Esta edição e a próxima tratam de maneira profunda deste grave problema.
Vemos como determinadas pessoas e grupos da Ufologia Brasileira usam um “atalho” para tentar compreender a ação de naves e seres extraterrestres em nosso planeta. Em vez da pesquisa e estudo sistemático do tema, se valem de uma forma de culto ou adoração a ETs, a ufolatria, uma maneira quase religiosa e messiânica de tratar o Fenômeno UFO. Os procedimentos dessas pessoas e grupos, analisados naquela e nesta edição, mostram uma clara tendência ao fanatismo, à prática de um caminho equivocado para buscar respostas para a presença alienígena na Terra. O ufólogo e mestre em história Cláudio Tsuyoshi Suenaga, mostra como funciona o mecanismo que leva indivíduos a fugirem da dura realidade da vida cotidiana e a abraçar sua valiosa verdade, a crença de que estão sob proteção e um dia serão salvos por “irmãos cósmicos”. Com esta edição, UFO Especial atinge uma marca histórica, somente superada por sua “irmã mais velha”, a revista UFO, e chega ao número 50!


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