UFOS - Eles não falam a verdade ou é você quem escolhe não saber?
Seja qual for o assunto para o qual se busque um espaço aberto para aprofundar seu conhecimento, rapidamente se descobre que essa é uma das últimas coisas que se irá obter ali. Procuramo-los geralmente na crença de que, reunindo mais cabeças dentre aquelas que se interessam por determinado assunto, a tendência é a de sair dali com um grau de conhecimento bem maior do que entramos, concorda? E a lógica não poderia ser outra, já que estabelecemos contato com um número expressivo de pessoas que produzirão um enorme fluxo de informações, agregando muito conhecimento ao que já trazíamos. A expectativa é de que ocorra uma troca extremamente rica justamente por se ter concentrado ali um volume enorme de visões, pensamentos e percepções num mesmo local e com o mesmo propósito, o que equivale a uma verdadeira "imersão" no tema de interesse e que irá ampliar significativamente o entendimento que já tínhamos, não é assim?
Pois é, só que não! Muitas vezes deixamos tais espaços com um sentimento de que a humanidade definitivamente não quer aprender nada com sua experiência terrena, mas tão somente viver seu agora da forma mais pueril, superficial e instantânea que consiga, e qualquer coisa além disso é acabar com o que acredita ser o lado mais divertido da vida!
Este texto se propõe a investigar as razões pelas quais isso acontece, e se realmente vale acreditar que mais cabeças facilitam o alcance do conhecimento ou se apenas nos desviam de nossa rota, fazendo-nos concluir que passaríamos melhor sem elas.
P - Quando se tenta entender um assunto que tem ocupado um espaço cada vez maior ao redor do mundo, e que pode afetar significativamente a vida de cada pessoa do planeta como é o caso da ufologia, por que razão as pessoas se comportam de forma tão contraditória, parecendo não ter nada a ver com o que está ocorrendo?
R - Sua pergunta dá margem a uma reflexão bastante profunda que precisaria ser tratada ponto a ponto, pois a gama de motivações para ser dessa forma é tão grande quanto o número de viventes na Terra, e precisaríamos tratar pelo menos das mais importantes de uma forma mais específica.
P - Começaria então pelo viés das crenças. A diversidade das crenças humanas não torna mais difícil o processo de aceitação de alguns temas mais sensíveis que contrariam sua orientação dogmática?
R - Não há a menor dúvida. Mas a diferença doutrinária entre as religiões é bem mais fácil de entender pois, como regra, as pessoas costumam se fechar para qualquer coisa que se coloque contrário às "verdades" que lhes foram passadas. No entanto elas não servem como "filtro" para que seguidores de doutrinas ortodoxas de viés fundamentalista não frequentem esses espaços, pois elas também são detentoras de muitas características que se pode encontrar nas demais pessoas. Não é porque seguem um determinado credo que se tornam imunes às mesmas fraquezas.
P - A quais fraquezas se refere?
R - A toda sorte de comportamento ostentado por um grande número de pessoas: vaidade, escárnio, espírito competitivo, soberba, preconceito, e tantos outros que se fazem presentes em qualquer lugar em que se reúna uma quantidade grande de gente de toda origem, cultura, formação e sistema de crenças. É claro que se espera de alguém criado num meio religioso um comportamento não tão mundano como o de quem não o teve, mas isso não é uma regra!
P - Durante um tempo frequentei um grupo de discussão que se apresentava como de "estudos ufológicos", e o mais difícil de se encontrar ali eram pessoas buscando aprender alguma coisa, mas apenas dar "pitacos" sem nenhuma lógica e apresentar as teorias mais estapafúrdias sobre o assunto. Eu havia entrado lá achando que encontraria ali a maioria dos frequentadores com o mesmo objetivo que eu. Isso não parece contraditório?
R - Sim... e não! É contraditório pelo aspecto que um grupo de estudo pelo menos em tese deveria reunir pessoas que apreciam estudar alguma coisa, concorda? Mas não se mostra assim se tivermos em mente que tais pessoas, ao ingressar no grupo, não deixam do lado de fora o modo como pensam, falam e atuam. Se são honestas e educadas, vão dizer o que pensam e demonstrar empatia; se são agressivas, vão agredir mais do que trocar informações; se são vaidosas, usarão o grupo como uma platéia cativa para se mostrarem; e se são zombeteiras, ocuparão seu tempo atacando a auto-estima das outras, desacatando e chamando a atenção sobre si, como é próprio das que possuem esse traço de personalidade.
P - Entendi. Mas queria entender agora o lado dos "interessados", o daquelas pessoas que chegaram lá com o mesmo objetivo que eu, mas que fazem a gente acreditar que pensam o oposto, pois só fazem contestar todas as colocações que fazemos, e passar incredulidade, em vez de tentar pensar o assunto sob um outro prisma.
R - O ser humano é complexo demais para o compreendermos por uma lógica linear, Cada qual é o resultado de sua criação, da formação que recebeu, do histórico que traz e dos impactos que ele lhe deixou como legado. Uma criança que sofreu violência paterna, por exemplo, pode se transformar num adulto revoltado e reproduzir o mesmo comportamento com os próprios filhos. Em outra, sua revolta pode fazer com que ela trabalhe a violência que sofreu como referencial sobre como não tratar os seus filhos, e se torne um pai amoroso e sensível. Isso irá depender muito mais do grau de consciência que construiu do que com a causa em si. Em outras palavras, duas pessoas podem passar pelas mesmas experiências e uma delas reagir de forma completamente oposta à outra. Isso, como se percebe, não tem a ver com o que passaram, mas com o que se tornaram a partir da experiência.
P - Mas existe ainda um grupo que me parece mais difícil de entender: o dos sinceros e que gostam do tema, mas insistem em criar mil teorias da conspiração em cima de crenças sem nenhum fundamento que criaram para si mesmas. Elas supostamente estão ali para aprender, mas quando você lhes passa as certezas que já obteve, elas se recusam a aceitá-las e continuam defendendo as suas crenças equivocadas de sempre. Qual seria a razão dessa resistência?
R - Pense nas crenças humanas como uma barreira de difícil transposição. Todo aquele histórico a que me referi anteriormente se presta a consolidar comportamentos decorrentes dessas crenças que boa parte das pessoas não ousa sequer questionar. Aquilo lhes foi passado como verdade, e ela assume aquilo como verdadeiro por mais inverossímil que se mostre. O sistema de crenças tem potencial para escravizar uma pessoa a ponto de fazer com que ela desenvolva medo até mesmo de questionar algo que ela mesma não acredita ser certo. Ele cria medos nas pessoas até para se perguntarem se aquilo faz sentido ou não. Isso tem a ver com aquele impacto da experiência que citei anteriormente, de como isso bateu dentro dela para tomar a decisão de desconstruir aquilo ou sedimentá-la como uma verdade absoluta que não admite qualquer tipo de contestação. E se torna então um paradigma inquebrantável.
P - Esse paradigma a que se referiu é ao que as pessoas se apegam para não se livrar de uma crença que outros já aboliram pelo processo de estudo e busca do conhecimento?
R - Exatamente! É uma forma de escolha do caminho mais fácil. Mudar a forma de pensar dá trabalho, pois o modelo novo vai cobrar "ajustes" em uma porção de outras coisas vinculadas ao antigo pensamento. Fica então mais fácil não mudar nada, e deixar tudo como está. Todo mundo em volta pode estar percebendo que aquilo não faz o menor sentido, mas a pessoa mesmo nem sequer se dá o trabalho de pensar nisso. De modo automático e instintivo ela sabe que se parar para pensar vai concluir que tem algo errado, e ela não quer fazer essa descoberta por "n" motivos: apego doutrinário, medo, espírito de submissão, e até um pseudo altruísmo, onde acha que continuando a ser como é consegue ajudar outras pessoas, e se mudar deixará de ser tão caridosa quanto agora. Como lhe falei, a alma humana é bastante complexa.
P - Voltando o foco para algo bem objetivo: a ufologia e as teorias conspiratórias que se criam em torno dela. Por que as pessoas seguem repetindo as mesmas conspirações de sempre, quando para muitas delas já se obteve respostas?
R - Talvez por uma característica humana ainda mais comum, mas igualmente difícil de se mudar: pode-se afirmar sem receio de errar que em torno de 95% das pessoas que se reúnem num grupo aberto para, supostamente, estudar sobre ufologia, não estão ali para realizar qualquer tipo de estudo. E não estou falando das que não acreditam na hipótese extraterrestre, nem dos engraçadinhos que os procuram com o propósito de se divertir: falo das sinceras mesmo, das pessoas que afirmam desejar entender mais sobre o assunto, ou se mostram intrigadas com ele por alguma experiência que tiveram, ou ainda por mera curiosidade. Essas pessoas realmente gostariam de entender mais do assunto, só que esse desejo, para elas, acontece de maneira diferente da que ocorre, por exemplo, em um meio acadêmico ou de natureza investigativa. Simplesmente porque este meio lhes cobra um método, e ações específicas que devam cumprir para chegar ao resultado que buscam. Em um grupo heterogêneo de tantos indivíduos amadores, cada qual cria o próprio meio para se informar, ou até não cria meio algum: simplesmente entra lá e se deixa levar pelo que lê, pelo que lhe dizem, podendo acreditar em todos ou até mudar todo dia de pensamento conforme o último fato em que se permitiu acreditar. Isso acontece porque não traz um referencial próprio baseado nas próprias pesquisas. Simplesmente incorpora "por osmose" os que lhe passam, sem sequer checar-lhes a veracidade.
Veja, um fato muito comum é a questão do ocultamento de informações pelo governo. Uma esmagadora maioria ouviu isso em algum momento, e o repete indefinidamente, independente de qualquer ação que os governos tomem para provar o contrário. Em outras palavras, essas pessoas realmente queriam conhecer a verdade, mas se boicotam o tempo inteiro por conta das teorias conspiratórias que ouviram de que o governo nunca irá permitir que elas saibam a verdade, o que não é real. Um número crescente de governos ao redor do mundo não só já se pronunciou favorável ao desacobertamento (só na América do Sul temos cinco deles) como toma medidas inequívocas de divulgação de tudo o que sabe. Bem recentemente a própria CIA, a agência americana de inteligência, disponibilizou mais de 5.000 documentos oficiais sobre UFOs que foram desclassificados para se tornarem públicos pela internet. Eu traduzi alguns e não tive a menor dúvida de que a intenção deles foi honesta. A forma com que se referem aos acontecimentos não tem nada de duvidoso, ou de tentar dissuadir as pessoas. No primeiro dos documentos - que eu mesmo fiz questão de traduzir para não acessar interpretações erradas - eles davam instruções, inclusive, sobre como uma pessoa deve proceder para realizar uma investigação sobre fenômenos ufológicos.
No Brasil também temos um órgão oficial que se incumbe disso: o Arquivo Nacional reúne milhares de documentos sobre casos ufológicos tidos como inexplicáveis, e devidamente fornecidos pelas Forças Armadas. Eles estão lá, para quem quiser ler e estudar, mas aí vem a pergunta: quantas pessoas o fazem? E nessas incluo esses 95% de frequentadores dos grupos abertos de ufologia, que preferem acreditar nas teorias conspiratórias ou, até pior, entram lá apenas para divulgar as teorias que eles próprios tiraram do nada ou de vídeos duvidosos no You Tube sem qualquer embasamento lógico, apenas para se autopromoverem de alguma forma, e ai entra aquele fator da vaidade a que me referi anteriormente.
E entra também um outro fato que atua como uma barreira quase intransponível para que se mude esse estado de coisas: as pessoas afirmam desejar saber, mas isso não é o mesmo que buscar o conhecimento. O "saber" delas funciona como uma espécie de passatempo: entram lá, dão um monte de "curtidas", fazem alguns comentários (muitos sem o menor embasamento lógico), e batem papo com os demais que agem da mesma forma. E até quando recebem a informação correta elas não se preocupam em aprofundá-la, nem investigar sua veracidade até para confrontá-las. Simplesmente não lhe dão a devida importância, como se espera de alguém que afirma querer entender sobre algo e buscar a verdade dos fatos. Para comprová-lo pode-se fazer um teste até bastante simples: basta postar um conteúdo sobre o tema da discussão num desses grupos e peça que as pessoas que efetivamente se interessaram por ele postem algo depois, como "Eu li", para que vocês possam discutir o assunto. Com alguma sorte ele cairá nas mãos de um ou outro daqueles 5% que pesquisam de verdade o assunto, e há uma tendência de que estes lhe respondam com um "Eu li" no seu grupo de discussão. Mas sugiro que esteja preparado para não se frustrar se não receber um único feedback, Querer saber é uma coisa, e sair em busca de conhecimento real é outra bem diferente!







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