A própria CIA ensinando como investigar UFOs?
O surpreendente episódio da revelação pública de Arquivos Ufológicos secretos pela CIA
Qual a intenção real por trás da decisão?
Para
uma pessoa obcecada pelo conhecimento – que sai compulsivamente em busca de
resposta para tudo o que me cai nas mãos – ao dar com algo que me obriga a rever
conceitos construídos ao longo de toda uma vida, a figura mais próxima para
descrever a sensação é a de levar um soco no estômago. Desde que me entendi por
gente as referências que recebi sobre a CIA, a Agência Nacional de Inteligência
americana, nunca se mostraram minimamente lisonjeiras para que alguma
instituição se sentisse orgulhosa delas. Mas até onde sei não sou o único. De
uma maneira geral o mundo todo tem uma percepção bastante negativa e muito semelhante
à minha em se tratando da agência de Inteligência. E não é de graça: tem-se
notícia do envolvimento da Agência em casos escabrosos que vão desde torturas e
prisões sem julgamento até assassinato de presidentes, inclusive o seu próprio,
como no caso da morte de John Kennedy que não são poucos os que lhe atribuem a
autoria. Então imaginem ter diante dos olhos algo honesto e realista em grau
que ninguém imaginaria encontrar em fonte alguma partida da CIA, e quando se
tem acesso a um documento oficial e público que não bate com nada do que a
gente acumulou de entendimento durante uma vida inteira...
Pois
foi exatamente assim! Recebi a notícia de que a CIA havia liberado milhares de
arquivos de seu acervo sobre contatos físicos ou visuais com OVNIs ao redor do
mundo, e dado todo o histórico que tenho a respeito da atuação da agência como
um órgão essencialmente político de repressão e acobertamentos, é claro que não
dei muito crédito ao que não poderia tratar como algo sério. Então fui
pesquisar – como de hábito – para ter acesso aos tais documentos. Cheguei até
mesmo a publicar previamente nas redes minha opinião sobre a notícia que, para
mim pelo menos, não passava de mais um embuste da agência de Inteligência,
sempre envolvida em tramoias e conspirações de toda ordem, o que não é lá coisa
para inspirar muito crédito quando a gente recebe uma informação de que estaria
quebrando toda a tradição de terrorismo estatal acumulada em mais de setenta
anos de vida, até mesmo no conceito de respeitados analistas políticos ao redor
do mundo.
No
que trata de ufologia, então, a agência sempre esteve mergulhada até o pescoço
em milhares de teorias conspiratórias sobre saber muito mais do que todos os
governos do planeta juntos a respeito do assunto, e ter sempre atuado no
sentido de descontruir evidências, ridicularizar testemunhas e até destruir provas
incontestáveis para extirpar de vez a ideia de que há décadas sabe tudo sobre o
que tentamos descobrir, e sempre nos fizeram de tolos. Então imagine-se esta
situação: alguém conseguiria levar a sério um sujeito mau-caráter, traiçoeiro e
tido como mentiroso contumaz, que chegasse apresentando uma documento de que
doou todos os seus bens para uma instituição de caridade? No mínimo você tomaria
o papel apenas como prova de sua torpeza e para comprovar que se tratava de um documento falso,
não é assim?
Pois foi exatamente o que fiz com os tais arquivos secretos que a CIA supostamente estaria tornando públicos pela internet, ou seja: disponibilizando para que qualquer cidadão do mundo tivesse acesso a informações pelas quais ela teria, ao longo de décadas, cometido toda sorte de crimes sob o argumento de proteger-lhe o sigilo em nome da segurança nacional. Conseguem entender então minha absoluta descrença com relação à veracidade do que estaria acessando?
Mas
a surpresa maior veio quando comecei a ler o documento oficial e logo na sua
introdução me subiu um frio pela espinha por conta de um sentimento que eu não
saberia traduzir em palavras. Eu o classificaria, no mínimo, como estarrecedor,
em se tratado do símbolo mais representativo de serviço secreto de toda a
galáxia, para usar uma figura de linguagem que empreste dramaticidade ao meu
espanto. E mesmo passadas mais de 24 horas após a leitura das primeiras laudas
do documento, e traduzi-lo até o ponto em que li para não restar dúvida de que o
entendera errado, numa espécie de voltairianismo ansioso pela tentativa de entendimento
que até agora meu cérebro ainda não alcançou.
Qualquer pessoa que se disponha a ler um documento da CIA vai esperar o que? No mínimo um amontoado de justificativas bizarras para descaracterizar a mais leve evidência do que ela não quer que se saiba, não é assim? Pois cada linha do documento parecia seguir em sentido diametralmente oposto, contrariando até a mais frágil das minhas expectativas de encontrar algo verdadeiro ali. Basta dizer que o caso ufológico que lhe serve de introdução, por si só, já gera impacto ao vê-lo descrito em grau de detalhamento incomum até entre especialistas da área. O caso Zamora, de um policial que presenciou um fenômeno muito divulgado, inclusive, revelava uma fidelidade incrível a tudo o que eu já havia pesquisado à respeito, sem dispensar até informações que não encontrei em nenhuma de minhas pesquisas, o que evidencia uma intenção de entrar profundo no assunto.
Mas
não vou ficar chovendo no molhado sobre o que li, até porque quis traduzi-lo na
íntegra e o resultado aparece em seguida à conclusão deste texto, para que cada
qual o avalie por si mesmo. Meu foco aqui é esse estado de catarse mental que a
postura da CIA me promoveu, do qual até agora não consegui chegar nem perto de
um entendimento. Nada nessa postura de divulgação de arquivos secretos bate com
tudo o que reuni de informação sobre a agência, e isso gerou uma mixórdia total
na minha lógica. Não consigo sequer encontrar um parâmetro para algo tão
radicalmente contrário a tudo o que se espera de uma instituição de segurança
nacional ao nível da CIA. Eles conseguiram embaralhar completamente a minha linha
de raciocínio a ponto de não conseguir pensar no que pode realmente haver por
trás dessa ação, motivo pelo qual me coloco aberto a toda e qualquer opinião a
respeito. A sensação é a de um terraplanista radical sendo levado por um disco
voador para apreciar o planeta lá de cima, e constatar por si mesmo que não
entende nada sobre coisa alguma. Pela primeira vez tive consciência do que a
derrubada de todo um sistema de crenças pode causar a um indivíduo, quando nada
do que ele está vendo e tocando sequer se aproxima da realidade que ele
construiu dentro de si.
Como
investigar um disco voador
Em direção ao sul em uma rodovia deserta, o policial Lonnie Zamora estava perseguindo um carro em alta velocidade após a cidade de Socorro, Novo México, quando se assustou com forte ruído! Segundos depois ele viu uma grande chama subir do solo e atravessar uma nuvem acima de um local deserto a sudoeste da rodovia. Acreditando que um galpão de dinamite que havia nas redondezas estivesse explodindo, Zamora saiu em alta velocidade com seu carro, dobrou à direita e dirigiu por uma estrada acidentada e sem calçamento que corria ao lado do galpão.
O carro de Zamora rangeu ao longo da estrada rochosa até alcançar uma colina íngreme. Erguendo-se por detrás da colina parecia sair um fogo sem fumaça de brilho intenso, como que produzindo chamas variando entre azul e laranja. A colina ocultava a origem das chamas, razão porque Zamora tentou subir por ela de forma a ver o que ocorria do outro lado. Os pneus de seu veículo escorregaram no cascalho solto, mas depois de três tentativas Zamora finalmente conseguiu chegar ao topo. Um objeto brilhante, do tamanho de um sedan, segundo ele, brilhava ao sol do fim da tarde a cerca de 150 a 200 metros de onde ele se posicionara no topo da colina. À primeira vista ele pensou que era um carro capotado que pegava fogo no leito de um riacho seco, mas quando se aproximou mais, pareceu ser um objeto cor de alumínio, não cromado, e em formato ovalado como uma bola de rugby.
O policial dirigiu em direção ao objeto, pelo planalto existente no topo da colina, por cerca de 15 metros, quando parou o carro. Imediatamente fez contato pelo rádio com o escritório do xerife, sem no entanto conseguir que ele atendesse, quando Zamora decidiu se aproximar a pé, descendo a colina pelo outro lado em direção ao objeto. Ele novamente se assustou com um ruído muito forte, não exatamente como o de uma explosão, mas também não contínuo como o de um motor a jato. O som começou numa frequência baixa que foi aumentando gradativamente. O que parecia uma chama vinha da parte inferior do objeto, que brilhava em azul claro na parte superior e laranja na inferior. Nesse momento Zamora foi tomado pelo pânico acreditando que o objeto estivesse prestes a explodir. Ele correu para se proteger, mas voltou-se para olhar o objeto durante a fuga. Ele notou um símbolo vermelho na lateral pontiaguda que calculou em 5 por 5 centímetros. O objeto era completamente liso em tom alumínio brilhante, sem janelas ou portas visíveis. Percebeu-o sustentado por duas pernas de metal inclinadas de dentro para fora. Só então correu para o carro, mas bateu com a perna no para-choque e foi ao chão. Levantando-se, correu mais uns 8 a 10 metros, e quando olhou de novo para trás viu o objeto começar a subir até o nível onde se encontrava a viatura, e em seguida subiu mais 6 ou 7 metros. Após correr mais 15 metros de onde se achava o carro, ele se abaixou o mais próximo possível do chão, cobrindo o rosto para se proteger. Com o silêncio que se seguiu, Zamora ergueu a cabeça para olhar em torno, e percebeu o objeto se afastando em sentido contrário ao dele, em direção sudoeste, parecendo levitar em linha reta a 4 ou 5 metros do solo. Sobrevoou o paiol de dinamite à distância de um metro apenas, e continuou no mesmo sentido até encontrar uma área aberta entre as montanhas e desaparecer.
Hector Quintanilla, último responsável pelo famoso programa BLUE BOOK de investigação de OVNIs da Força Aérea dos Estados Unidos, foi quem estudou o caso Zamora. Sua equipe estava convencida de que Zamora dissera a verdade e, apesar de uma investigação minuciosa no local, não mais conseguiram localizar o objeto ou obter informações sobre sua origem. Em um artigo da publicação “Studies in Intelligence”, entitulado "The Investigation of UFO’s", Quintanilla reconheceu o avistamento de Zamora como "o caso mais bem documentado de que se tem registro." No entanto, ele ainda permanece sem solução. O Projeto BLUE BOOK esteve sob o controle da Base Aérea Wright-Patterson, localizada perto de Dayton, Ohio. Entre 1947 e 1969 a Força Aérea registrou 12.618 avistamentos de fenômenos anômalos, dos quais 701 deles permanecem como "não identificados", como o caso do policial Zamora. Embora a CIA não estivesse diretamente vinculada ao Projeto BLUE BOOK, a Agência desempenhou importante papel na investigação de OVNI’s em final dos anos 1940 e início dos 1950, o que deu causa à elaboração de vários estudos, painéis e programas especiais. O ex-historiador chefe da CIA, Gerald K. Haines, escreveu um artigo detalhado sobre o papel da Agência no estudo do fenômeno OVNI para efeito de pesquisas da Inteligência. Em seu artigo "O papel da CIA no estudo dos OVNIs, 1947-90", Haines diz que "embora a preocupação da Agência com os OVNI’s tivesse sido relevante até o início dos anos 1950, a CIA manteve um desempenho limitado e periférico em relação aos fenômenos".
Com mais de 20 anos de investigações – desde o final dos anos 1940 até o término do Projeto BLUE BOOK em 1969 – a CIA e a USAF aprenderam alguma coisa sobre investigação de ocorrências envolvendo OVNIs. Enquanto atualmente a maioria do staff do governo e de cientistas tomam os relatórios de discos voadores apenas como uma espécie de “relíquia curiosa” das décadas de 1950 e 1960, ainda existe muito que se pode apreender com o histórico e a metodologia utilizada pela "inteligência aplicada aos discos voadores".
10 dicas ao se investigar a ocorrência de discos voadores:
1. Estabeleça uma equipe de estudos para investigar e avaliar os avistamentos
Até dezembro de 1947 não havia nenhuma organização específica com a responsabilidade de investigar e avaliar avistamentos de OVNIs, e nem padrões sobre como avaliar os relatórios recebidos, registros de dados mensuráveis ou resultados de pesquisas de campo que se prestassem a uma comparação com ocorrências relatadas. Para evitar dificuldades de entendimento, o então chefe do Comando Técnico da Força Aérea, General Nathan Twining, criou o Projeto SIGN (inicialmente denominado Projeto SAUCER) em 1948 para coletar, comparar, avaliar e distribuir pelas diferentes áreas do governo todas as informações reunidas de tais avistamentos, baseando-se na premissa de que os OVNIs possam ser reais, ainda que não necessariamente extraterrestres, mas ainda assim objeto de preocupação para efeito da segurança nacional. O Projeto SIGN posteriormente deu lugar ao Projeto GRUDGE, que em 1952 acabou transformado no Projeto BLUE BOOK.
2. Determine os objetivos de sua investigação
A preocupação da CIA com os OVNIs seguiu relevante até o início dos anos 1950 por conta da potencial ameaça à segurança nacional representada por esses objetos voadores não identificados. A maioria das autoridades não acreditava que os avistamentos fossem de origem extraterrestre, mostrando preocupação de que se tratassem de novas armas soviéticas. (*Nota do tradutor: Lembrando que naquele tempo os EUA se encontravam em plena Guerra Fria com a URSS). Dessa forma a equipe do Projeto BLUE BOOK, conforme explicou Quintanilla, definiu três objetivos principais para nortear suas investigações:
1)
Ainda que o BLUE BOOK, assim como
outros projetos de investigação anteriores a respeito, não descarte a
possibilidade de fenômenos extraterrestres reais, suas pesquisas e
investigações focaram principalmente suas implicações em termos da segurança
nacional, especialmente eventuais avanços tecnológicos soviéticos,
evidentemente.
3. Consulte especialistas e outros pesquisadores do fenômeno
Ao longo das décadas de 1950 e 1960 vários projetos, painéis e outros estudos foram conduzidos ou patrocinados pelo governo dos Estados Unidos com vistas a pesquisar o fenômeno OVNI, o que incluiu o Painel Consultivo Científico sobre Objetos Voadores Não Identificados patrocinado pela CIA, e que também ficou conhecido como “Painel Robertson”. Para conduzi-lo foi contratado o notável físico H.P. Robertson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que colaborou ativamente na formação do notável grupo de cientistas não militares para estudar a questão dos OVNI’s.
O Project BLUE BOOK costumava ainda cercar-se de especialistas externos que incluia astrofísicos, oficiais da aeronáutica, pilotos civis e militares, o US Weather Bureau (instituição para estudos do clima), estações meteorológicas locais, acadêmicos de diversas áreas, o Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, a NASA, a Kodak (para análise de fotos) e vários laboratórios (para análise de espécimes físicos). O processo incluiu até mesmo o famoso astrônomo Carl Sagan integrando uma equipe para revisar as descobertas do Projeto BLUE BOOK em meados da década de 1960. O relatório apresentado pela equipe de estudos concluiu que “nenhum caso de OVNIs que representasse avanços tecnológicos ou científicos fora de uma estrutura terrestre” foi identificado, mas o comitê recomendou que os OVNIs continuassem sendo estudados em profundidade para dirimir a questão de uma vez por todas.
4. Crie um sistema de relatórios para organizar os casos recebidos
O Centro de Inteligência Técnica Aérea (ATIC) da Força Aérea dos Estados Unidos desenvolveu questionários para serem aplicados quando da obtenção de relatórios de observadores de OVNIs, e que foram usados ao longo de toda a duração do Projeto BLUE BOOK. Os formulários foram especialmente planejados para se obter informações que pudessem determinar o tipo de fenômeno mais provável em que o avistamento se encaixasse. A duração do avistamento, a data, a hora, a localização ou posição no céu, condições meteorológicas e a maneira como apareciam ou desapareciam eram detalhes essenciais para os investigadores responsáveis pelos registros dos avistamentos relatados.
O Projeto BLUE BOOK também categorizou os avistamentos em conformidade com o que a equipe julgava ser suas prováveis causas, como: Fenômeno astronômico (estrelas brilhantes, planetas, cometas, bolas de fogo, meteoros e serpentinas aurorais); Aeronáutico (aeronaves a hélice, aeronaves a jato, missões de reabastecimento, aeronaves de reconhecimento, comerciais, helicópteros); Balões de naturezas diversas; Satélites; Outros (incluindo mísseis, reflexos, miragens, holofotes, pássaros, pipas, sinais espúrios de radar, boatos, fogos de artifício e sinalizadores); Dados insuficientes; e, finalmente, não identificado. De acordo com Quintanilla, “um avistamento é considerado não identificado quando um relatório aparentemente contém todos os dados necessários para sugerir uma hipótese válida, mas sua descrição não pode ser correlacionada com nenhum objeto ou fenômeno conhecido”.
5. Elimine os Falsos Positivos
Faz-se necessário descartar cada uma das causas conhecidas e prováveis em avistamentos de OVNIs, reduzindo-se ao menor volume possível o número de casos “inexplicáveis” a se considerar. Ao se descartar as explicações mais comuns, os investigadores poderão se concentrar naqueles casos que efetivamente não se encaixem em nenhum parâmetro conhecido, permanecendo na condição de fenômenos incomuns. Algumas explicações comuns para avistamentos de OVNIs descobertos nas primeiras pesquisas incluiram aeronaves secretas desconhecidas pelo público (como os voos experimentais do U-2, A-12 e do SR-71) que representaram mais da metade dos relatos de OVNIs do final dos anos 1950 até a maior parte da década de 1960); outros apareceram como fenômenos naturais; histeria em massa e alucinação; “Histeria de guerra;” “Loucura de verão”; hoaxes; acrobacias de publicidade; e uma má interpretação de objetos conhecidos. A história também deu sua contribuição para elucidar alguns casos, como uma citação interessante encontrada pela equipe Robertson de 1953 fazendo referência a um antigo fenômeno conhecido como “Foo Fighters” – que antecedeu o conceito moderno de OVNIS. Trataram-se de fenômenos inexplicáveis vivenciados por pilotos militares em ação durante a Segunda Guerra Mundial no espaço aéreo europeu e no Oriente, em que "bolas de luz" teriam executado manobras junto às aeronavem em combate, movimentando-se rapidamente entre elas. Acreditava-se que eram fenômenos eletrostáticos (semelhantes ao “Fogo de Santelmo”) ou eletromagnéticos... mas sua correta procedência ou natureza nunca foi determinada. Se o termo 'discos voadores' fosse popular em 1943-1945, bem provável que esses objetos teriam sido rotulados assim.
6. Desenvolva uma metodologia para identificar aeronaves comuns e outros fenômenos aéreos frequentemente confundidos com OVNIs
Devido à probabilidade significativa de uma aeronave comum (ou militar secreta) poder ser confundida com um OVNI, é importante conhecer as características dos diferentes tipos de aeronaves e fenômenos aéreos para avaliar cada avistamento. De modo a permitir aos investigadores conhecer o grande volume de relatórios que chegavam, o Projeto BLUE BOOK desenvolveu uma metodologia para determinar se o avistamento de OVNIs poderia ser atribuído a uma aeronave conhecida ou a algum fenômeno aéreo. Eles listavam descrições detalhadas que caracterizassem cada tipo de aeronave ou fenômeno astronômico, notadamente os que poderiam ser confundidos com um OVNI, como recurso dos investigadores para avaliar os relatórios recebidos.
7. Examine a documentação da testemunha
Quaisquer fotografias, vídeos ou gravações de áudio podem ser significativamente úteis na avaliação de um avistamento de OVNI relatado. Um caso famoso examinado pelo Painel Robertson foi o "Tremonton, Utah Sighting" de 1952, onde um casal e duas crianças viajando pelo país na State Highway 30, já fora de Tremonton, viram o que pareciam ser de 10 a 12 objetos brilhantes movendo-se para o oeste no céu em formação irregular. O marido conseguiu capturar alguns objetos com sua filmadora. O caso foi considerado significativo devido à "excelente evidência documental na forma de filmes cinematográficos Kodachrome (cerca de 1600 quadros)." O painel examinou o filme, o histórico do caso, a interpretação da ATIC e recebeu instruções de representantes do Laboratório de Interpretação de Fotos da USN sobre a análise do filme. O laboratório acreditava que os objetos não eram pássaros, balões, aeronaves ou reflexos e, portanto, deveriam ser "auto luminosos". A equipe entretanto discordou da avaliação de que os objetos seriam auto luminosos, acreditando que se uma análise mais aprofundada fosse conduzida, poder-se-ia encontrar uma explicação terrestre para o avistamento.
8. Realize pesquisas de campo
Como sugerido pelo Painel Robertson para investigar o avistamento de Tremonton, Utah (mencionado na dica nº 7), pesquisas de campo poderiam ser necessárias na tentativa de reproduzir os fenômenos desconhecidos. No caso do Tremonton, a equipe sugeriu um experimento onde os cientistas fotografariam “balões do tipo almofada” a distâncias diferentes sob condições climáticas semelhantes às dos relatos. Acreditavam eles que tal experimento poderia ajudar a dissipar a teoria “auto luminosa” dos objetos vistos no filme. Infelizmente, neste caso, o custo para realizar tal experimento inviabilizou a ideia.
9. Reúna e teste evidências físicas e forenses
Com relação ao caso Zamora (descrito na introdução), Quintanilla afirmou que durante o curso da investigação, e imediatamente após, “tudo o que era humanamente possível verificar foi verificado”. Isso incluiu trazer contadores Geiger da Base da Força Aérea de Kirtland para testar a radiação na área de pouso e enviar amostras de solo ao Laboratório de Materiais da Força Aérea. “A análise do solo não revelou nenhum material estranho. A radiação era normal para as "trilhas" encontradas e a área circundante. A análise laboratorial da vegetação queimada não revelou nenhum elemento químico que pudesse ser considerado como resíduo de propulsor ”, disse Quintanilla. “Os resultados foram todos negativos.” Nenhuma explicação conhecida no entanto pôde ser encontrada para o misterioso evento.
10. Desencoraje relatórios falsos
A equipe de trabalho Robertson descobriu que a Força Aérea havia “instituído um excelente canal para receber relatórios de quase tudo que um observador pudesse ver no céu sem conseguir entender”. Este é um exemplo clássico da necessidade de separar evidência de aparência. Se você tem muitos relatórios falsos ou inúteis, torna-se bem mais difícil encontrar aqueles que se mostrem dignos de investigação ou de atenção mais apurada. A CIA, no início dos anos 1950, mostrava-se preocupada com o fato de que, por conta da tensa situação da Guerra Fria e do aumento da capacidade bélica soviética, a URSS pudesse usar relatórios de OVNIs para promover o pânico em massa e a histeria na população. Pior ainda, os soviéticos poderiam usar avistamentos de OVNIs como meio para sobrecarregar o sistema de alerta aéreo dos Estados Unidos, de modo que não se pudesse distinguir alvos reais de supostos OVNIs.
De
maneira a diminuir a quantidade de relatórios falso-positivos, a Equipe
Robertson sugeriu educar os militares, pesquisadores e até mesmo o público
sobre como identificar objetos ou fenômenos comumente confundidos com OVNIs. Entre
as recomendações estava a de treinar pessoal alistado, comandar e pesquisar
sobre como reconhecer adequadamente objetos iluminados de maneira incomum (como
balões ou reflexos de aeronaves), bem como fenômenos naturais (como meteoros,
bolas de fogo, miragens ou nuvens noctilucentes "noturnas") . Ao
saber como reconhecer corretamente os objetos que eram comumente confundidos
com OVNIs, os investigadores poderiam eliminar rapidamente os relatórios falsos
e focar na identificação daqueles avistamentos que permaneceriam inexplicados.










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