Gary Mckinnon - O simpático hacker que derrotou o imperialismo americano
Gary McKinnon é um hacker escocês que
invadiu computadores de diversos órgãos do governo americano. Depois
de várias audiências realizadas em julho de 2006 no Reino Unido,
foi decidido que ele deveria ser extraditado para os Estados Unidos. Seus
advogados apelaram contra esta decisão em um recurso impetrado na High
Court de Londres em fevereiro de 2007. McKinnon foi acusado de ter
acessado ilegalmente e danificado mais de 57.000 computadores do exército
americano, da aeronáutica, do Pentágono e da NASA entre fevereiro de 2001 e
março de 2002. Perseguido
em 14 Estados americanos por oito acusações, "McKinnon é acusado de ter cometido o maior ato de pirataria em
informática de todos os tempos", disse o promotor do Estado da
Virgínia, Paul McNulty,
Uma das atas de acusação destaca que algumas das informações recolhidas
por McKinnon podiam ser "direta ou
indiretamente úteis a um inimigo" dos Estados Unidos. De acordo com
Washington, os prejuízos causados por McKinnon se elevam a um milhão de dólares.
Porém, Gary McKinnon, tido como o melhor hacker do mundo, afirma que as
autoridades americanas se enganaram sobre suas reais motivações. "Ele não nega que algo tenha acontecido, não
nega ter acessado o sistema de informática deles", declarou sua
advogada, Karen Todner. "Sua motivaçãoo
era dupla: comprovar a existência dos OVNI e demonstrar as falhas de segurança
do sistema americano", explica Todner.
Em 2009 a Alta Corte rejeitou o recurso apresentado pelos advogados de Gary McKinnon – um homem comum e com poucos recursos financeiros qualificado pela justiça americana como o maior hacker de todos os tempos –contra a decisão da ministra do Interior, Jacqui Smith, que, em outubro de 2008, deu luz vermelha à sua extradição para os Estados Unidos. Em um veredicto de 4.371 páginas os juízes disseram que a extradição era “uma resposta legal e proporcional à sua ofensa". McKinnon é portador de Síndrome de Asperger, o que pode ser a causa da habilidade intelectual sobre-humana de que é possuidor.
Gary era um administrador de sistemas trabalhando com TI e responsável por lidar com redes, servidores e coisas do gênero e que, nas horas vagas, curtia hackear computadores mundo afora. Em 2001, ano em que aconteceram os ataques às torres gêmeas em Nova York, Gary resolveu invadir algumas máquinas do governo norte-americano, sendo acusado depois de ter cometido o maior ataque de todos os tempos a computadores militares. Ele ganhou acesso a nada menos do que 97 computadores do Pentágono, do Exército, Marinha e Aeronáutica dos EUA, do Departamento de Defesa e até da NASA, fazendo com que toda a rede caísse por mais de 24 horas, e também apagou registros de armas necessários ao suprimento de munições para a frota da marinha no Atlântico, por exemplo.
O agravante, pelo menos para Gary, é que sua ação ocorreu no período imediatamente anterior e pouco depois dos ataques de 11 de setembro. De acordo com o governo dos EUA o escocês causou danos que, na época, foram estimados em US$ 700 mil. Gary, evidentemente, tirou muita “gente grande” do sério até o descobrirem em 2002. O hacker foi seguido e preso por uma unidade de crimes cibernéticos do governo britânico e depois acusado pelos EUA, além de sofrer 8 acusações por parte de 14 estados norte-americanos. Sob liberdade condicional, foi proibido de usar qualquer computador com acesso à internet, sendo obrigado a se apresentar às autoridades britânicas diariamente e não deixar sua casa à noite.
Em 2005 o governo norte-americano entrou com um
pedido de extradição, e Gary enfrentou uma longa e árdua batalha judicial para
não ser enviado aos EUA onde poderia ser condenado a 70 anos de prisão. Só em
2012, após um longo e exaustivo processo judicial, a extradição foi afastada em
definitivo por Theresa May e, de lá pra cá, o hacker reinventou sua carreira e
atua como uma espécie de “guru” da otimização para mecanismos de pesquisa. Mas
durante o período em que invadia os computadores norte-americanos o escocês teve
acesso a inúmeros documentos sigilosos. De acordo com Gary, sua maior motivação
para invadir os computadores norte-americanos foram as alegações de várias
teorias da conspiração de que o governo dos EUA, assim como o de outros países,
escondia informações vitais sobre a existência de seres alienígenas e naves de
origem extraterrestre sob a alegação de que a população mundial ainda não estaria
preparada para saber que a civilização humana vem sendo monitorada por
criaturas de outros planetas há séculos. Algumas teorias sustentam que a
“verdade” poderia gerar pânico e levar o planeta ao caos, enquanto outras
afirmavam que os governos estabeleceram alianças militares com aliens para
troca de tecnologias desconhecidas pela nossa ciência.
Gary teria se inspirado, segundo ele, em inúmeros
depoimentos de militares da reserva e funcionários do governo norte-americano
para decidir por uma investigação própria com suas invasões. Um desses
depoimentos que o estimularam partiu de uma mulher chamada Donna Hare, que
havia trabalhado para a NASA e garantiu ter visto funcionários do Edifício 8 do
Centro Espacial Johnson, no Texas, alterarem imagens de OVNIs capturadas por
satélite antes delas serem divulgadas publicamente pela agência espacial. Segundo
Donna, ela mesmo teria assistido a imagens que mostravam estruturas alienígenas
imensas no lado oculto da Lua, assim como naves pousadas ou sobrevoando a
superfície lunar. Os computadores do Edifício 8, portanto, foram os primeiros
alvos de Gary, e ele contou depois aos quatro ventos que se deparou com
documentos bem interessantes durante suas incursões cibernéticas.
Conforme dito por Gary, foi surpreendentemente fácil ganhar
acesso aos computadores da NASA. Neles ele encontrou arquivos em alta resolução
que já haviam sido processados digitalmente, mas entre estes ainda muitos
originais que não haviam passado por manipulação. Um pouco antes de ser preso o
hacker também revelou que se deparou com uma foto que mostrava uma estrutura de
grandes dimensões, em formato cilíndrico, ladeada por um par de domos que havia
sido flagrada sobre o hemisfério norte. O escocês ainda contou que teve acesso
a planilhas da Marinha que detalhavam o transporte de cargas entre estações
espaciais tripuladas por oficiais não terrestres da Força Aérea
norte-americana, assim como a listas com nomes de 30 desses militares “não
terrestres” e suas respectivas patentes.
Gary explicou que não acreditava que o Exército dos
EUA empregava aliens, mas que as informações diziam respeito a oficiais que
estavam em bases espaciais realizando missões que incluíam contatos com esses
seres. O hacker declarou anda que acreditava que os EUA contam com naves de
guerra em órbita, revelando o nome de pelo menos duas delas: USSS LeMay e USSS
Hillenkoetter. Normalmente os nomes das embarcações da Marinha norte-americana
são precedidos pelas letras USS, de United States Ship (ou Navio dos Estados
Unidos); no caso do terceiro “S” surgiram especulações de que ele poderia
representar a palavra Space — ou seja, a sigla seria um acrônimo para “United
States Space Ship” ou Nave Espacial dos
Estados Unidos. Os nomes LeMay e Hillenkoetter seriam significativos, já que
os dois teriam sido tomados emprestados do General Curtis LeMay e do Almirante
Roscoe Hillenkoetter, ambos envolvidos de alguma forma com boatos ou
investigações relacionadas a fenômenos OVNI. Conforme explicou Gary, é possível
que as informações não passassem de um jogo ou algo parecido, mas que elas eram
estranhas, isso eram!
Além de Gary McKinnon ter oficialmente cometido
crimes graves pela ótica militar — e de
ter mexido com o que não devia — ele ainda trouxe a público informações pra lá
de polêmicas, mesmo não existindo provas físicas do que efetivamente teria
acessado e garante ter visto nos computadores da NASA e do Exército dos EUA. O
escocês alega que, enquanto tentava fazer o download da imagem do OVNI que
encontrara numa das invasões para guardá-lo em sua máquina, sua conexão —
discada e de lentíssimos 56K — caiu quando apenas dois terços do arquivo haviam
sido baixados. Já as planilhas e demais documentos teriam sido confiscados
juntamente com o computador do hacker antes que tivesse tempo de criar uma
cópia de segurança o que, por si só, já levanta suspeitas de que havia conteúdo
relevante ali que não interessava ao governo que viessem a público.
Evidentemente, as declarações de Gary dividiram e até hoje dividem opiniões. Enquanto existem os que acham que ele não passa de um maluco mentiroso, outros estão convencidos de que o escocês foi duramente perseguido por tentar expor verdades sensíveis guardadas a sete chaves pelo governo americano. Outros ainda defendem que Gary teria sofrido tantas perseguições apenas por ter usado sua habilidade num péssimo momento, quando todos os olhos do mundo estavam voltados para a questão da segurança nacional americana em decorrência da derrubada das torres gêmeas e que, num outro momento, ele receberia o mesmo tratamento de outros tantos hackers que cometeram invasões nos computadores oficiais e até causaram prejuízos bem maiores do que os provocados por ele, já que 700 ou 900 milhões de dólares do orçamento militar americano não é significativo em relação ao montante destinado aos órgãos de segurança daquele país, o que derruba o mais forte argumento para o pedido de extradição do escocês.
Não são poucos também os que defendem que essa foi a principal razão para Theresa May ter vetado a extradição de Gary para os Estados Unidos, e não a Síndrome de Asperger de que é portador. Esta se mostraria igualmente como um fraco argumento para descumprir o acordo de extradição firmado com o governo americano, mas justificado por não se poder tornar público o verdadeiro motivo: a de que a punição imposta ao hacker se fazia incompatível com o prejuízo gerado por seu ato, já que não aplicada a outros casos semelhantes, deixando claro que a real intenção do governo americano era a de calá-lo, e não a de fazer justiça. A decisão foi efusivamente comemorada em todo o Reino Unido e no resto do mundo, onde houve intensa campanha para impedir a extradição do hacker, o que não deixou de fora nem mesmo muitos americanos que, mais do que ninguém, sabem como raciocina a cúpula de seu governo. Não há dúvida de que o carisma de Gary - tido como pessoa de boa índole e um ótimo caráter - contribuiu para toda essa mobilização em torno dele.
A síndrome que salvou Mckinnon da extradição
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Fontes:
Blasting News Brasil; G1 Notícias; Folha. com; BBC Brasil; Supercurioso; Wikipedia.



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