UFO - Perguntas e respostas - Parte II
Admitir a existência do que não se pode constatar por meio dos sentidos será sempre uma árdua tarefa, pois que existem muito mais barreiras do que facilitadores, graças aos paradigmas humanos que se deseja manter a todo custo. Nosso texto de hoje se propõe a abordar suas múltiplas razões.
15.Partindo da constatação de que muitos se recusam a admitir a existência dos UFOs por medo do desconhecido, não se tem aí uma questão forte o bastante para ser superada?
Resp. – O medo sempre será um obstáculo muito grande, sem dúvida, para lidar com o desconhecido fazendo até que muitos acreditem, com bastante frequência, que simplesmente ignorar o que assusta é o suficiente para evita-lo, o que é uma enorme ilusão da mente. Ignorar a verdade, nesses casos, faz o papel de um analgésico que apenas elimina a percepção da dor, mas não cura a doença que consome o organismo, e ela continuará se agravando até matar o doente se não for encarada de frente. O que dá combate a esse tipo de medo é a consciência de que a realidade nunca será pior do que a fantasia, e por um motivo bem simples: a realidade tem limites, e a fantasia não! Quando se escolhe viver de fantasia seus medos podem leva-lo a qualquer lugar, tornando as coisas muito maiores do que elas realmente são. Usando o humor de um velho provérbio popular para definir esse tipo de postura, este seria: “aceita, que dói menos!”, pois o impacto da descoberta em pessoas despreparadas é sempre maior. O complicador é que a fantasia não possui parâmetros, e portanto não pode ser contida, ficando totalmente a mercê das criações da mente. Já a realidade tem critérios claros de análise que permitem tanto dimensionar o tamanho do risco quanto as chances de ocorrer o improvável. Mas isso está vinculado a uma racionalidade de que boa parte das pessoas não sabe fazer uso. O indivíduo racional tira suas conclusões a partir das perguntas que lista antes de aceitar ou negar qualquer coisa, não se deixando conduzir por hipóteses ou suposições desconectadas de fatos ou que não permitem combinações lógicas. Qualquer coisa real traz vários componentes para atestá-lo, e é necessário comparar todo o conjunto antes de se chegar a uma conclusão. É a combinação desses elementos que trará ou não sentido ao conjunto. Quando todos eles apontam para uma única direção, então pode-se dizer que se chegou à verdade dos fatos, já que todas as demais possibilidades são descartadas por virem desprovidas de sentido, ou não se encaixarem umas às outras como peças de um quebra-cabeças. Verdades nunca são figuras prontas, mas consequência da montagem correta desse quebra-cabeças. Quando se trabalha em consultoria ou auditoria – como é o meu caso – existe uma frase clássica que vem como pré-requisito básico para obter-se “evidências conclusivas” sobre qualquer coisa: “Fatos convencem, opiniões confundem”. Isso é premissa básica para separar realidade de fantasia.
16. Dentre os aficionados pela Ufologia pode-se perceber grupos que se apresentam absolutamente distintos entre si, indo desde aqueles que a encaram sob uma ótica estritamente científica até os que não separam o fenômeno de espiritualidade, ou até o associam à paranormalidade. Isso não acaba por desacreditar o estudo sério da matéria? Se já é difícil suplantar a resistência dos céticos, não fica ainda mais difícil quando se mistura tantas correntes, que leva tudo a cair na vala comum da crendice pura?
Resp. – Não há dúvida alguma que essa multiplicidade de percepções para o fenômeno ufológico agrava o ceticismo dos mais resistentes a tudo o que foge do universo conhecido. Mas com o mergulho mais profundo na questão as coisas tentem a ir se ajustando naturalmente graças à amplitude cognitiva que se vai adquirindo dos muitos elementos envolvidos, e pouco a pouco se pode perceber que as coisas não são tão desconexas quanto parecem a princípio. Ao longo do aprofundamento as conexões vão surgindo de forma quase automática, como se fôssemos descobrindo que as peças do mesmo quebra-cabeças, tão diferentes entre si, possuem interfaces que as encaixam umas às outras, requerendo apenas um pouco de paciência para descobrir o lado certo de cada uma.
17. Poderia ilustrar melhor esse “encaixe das peças” no que toca às correntes aparentemente conflitantes?
Resp. – Na verdade não se mostram conflitantes, mas apenas precisam ser dispostas “na ordem certa". Não é possível, por exemplo, encaixar as duas peças das extremidades se as do meio estiverem faltando. Assim é necessário que toda a sequência esteja completa e cada peça colocada na posição correta para que se perceba que são partes do mesmo todo. Usando as doutrinas como exemplo, linhas dogmáticas tão distintas se mostram aparentemente conflitantes nas diferentes religiões, mas quem se propõe a estudar o conjunto, e não uma especificamente, vai enxergá-las como as graduações de uma mesma régua que se presta a medir a mesma coisa. Para facilitar o entendimento, imaginemos que a unidade de medida seja o metro, e cada religião seria um centímetro da régua toda. Teríamos então cem diferentes religiões na nossa escala de 1 a 100, onde a de número um seria a mais densa e a número 100 da outra extremidade seria a mais sutil - ou etérea - no que toca à ritualística, que é o meio utilizado para aproximar seus devotos do divino. As densas farão uso de muitos recursos materiais para gerar aquela aproximação do homem com Deus, enquanto que as mais sutis dispensarão qualquer recurso material para conseguir o mesmo objetivo, buscando a “aproximação” por meios abstratos e recursos internos sem uso de qualquer elemento físico, tipo sacrifícios de animais, velas, defumadores, oferendas, etc. Do meio da régua em direção ao 1 a proporção do sutil vai reduzindo e a densidade aumentando, enquanto que do meio para o 100 a densidade vai sendo reduzida até atingir o sutil em plenitude, encontrado nesse extremo da escala.
18. Quais os exemplos mais conhecidos dos diferentes estágios dessa escala pela ótica das religiões?
Resp. – As religiões de matizes africanas seriam exemplos da sequência numérica mais baixa na escala, e as filosofias orientais estariam encaixadas na parte dela que caminha para o sutil na sua concepção mais etérica. Tudo o que acontece ao longo da régua – do grau 1 ao 100 – são exatamente a mesma coisa pela ótica da espiritualidade, que é o encontro do humano com o divino, só diferindo no meio empregado para se chegar ao resultado. Se os que estão nelas entendessem isso, descobririam que querem a mesma coisa, e todos enxergariam as outras como iguais.
19. Mas qual o elo desse escala com a Ufologia?
Resp. – A mesma visão míope com que se percebe as religiões é levada para outra escala que, em lugar da espiritualidade humana, se prestaria a medir os diferentes planos de consciência do universo como um todo, onde esse “como um todo” se estenderia não apenas ao conhecido, mas também ao desconhecido.
20. Uma escala para medir a inteligência no universo?
Resp. – Mais precisamente uma escala que mede os limites que a humanidade impõe a si mesma para aceitar o que desconhece. Digamos que a raça humana fixa um ponto na escala para o que considera “aceitável” ou “possível”, e a partir daquele ponto tudo se mostraria – pela sua ótica, evidentemente – impossível e equivocado. Vamos a um exemplo prático: no mesmo molde das religiões, a ufologia tem diversas “tribos” dentre os que defendem a existência da inteligência extraterrestre. E nestas estou incluindo apenas as que a têm como realidade, e não as que a negam. Acrescente-se aqui o fato de que a denominação de "Ufologia" para designar tudo o que integra a pesquisa ufológica hoje - entendida como "ufologia científica" - na realidade não mais atende sua complexidade atual. O nome foi escolhido em função dos estudos que se seguiram ao aparecimento dos primeiros UFOs, ou seja: o estudo (logia) de qualquer Objeto Voador Não Identificado (Ufo), a partir do instante em que começaram a ser vistos com cada vez mais frequência. Assim, a junção de Ufo com Logia resultou na expressão que chegou até nós para designar esse tipo de estudo. Só que evoluímos para um estágio mais avançado do que esse, pois que a pesquisa não ficou apenas restrita à observação daqueles objetos que não se conseguia identificar. Os estudiosos do assunto passaram a entender que por trás deles haviam inteligências mais avançadas que a nossa, e foi quando chamar a isso de "ufologia" ficou um tanto inadequado para definir o que se fazia. Pessoalmente prefiro chamar o que fazemos hoje, na falta de algo melhor. de "Exociência" , que reflete um pouco mais sua real natureza. Claro que é apenas uma expressão cunhada por mim, mas que expressa exatamente o estágio atual das pesquisas que se refere não apenas aos contatos de primeiro grau (avistamentos de objetos à grande distância) mas ao estudo das inteligências extraterrestres que operam essas naves para que executem movimentos erráticos inteligentes. Neurociência, como se sabe, é a ciência que estuda a inteligência, e "Exo" é o sufixo aplicado ao que extrapola o nosso sistema solar para estender-se ao universo como um todo. Mas voltando ao nosso assunto, se considerado que seus defensores se dividem entre céticos, curiosos, interessados, e especialistas, alguns desses segmentos abrem nova escala no que toca à forma de percepção do fenômeno, e não apenas quanto à sua crença. E nesta encontraríamos diferentes parâmetros como o da Ciência, da Parapsicologia, da Paranormalidade, da Espiritualidade e até do chamado “Realismo Fantâstico”, igualmente utilizados para avaliação do fenômeno dependendo do segmento que o realiza.
21. Não é um contra-senso incluir os céticos nesse grupo dos defensores?
Resp. – Muita gente confunde “cético” com “incrédulo”, que é aquele indivíduo resistente por opção. O cético defende a verdade a partir de fatos ou evidências e não incorpora uma idéia alheia sem antes ter-se convencido por si mesmo, permanecendo aberto a dados que o confirmem. O crédulo, por outro lado, já quer acreditar antes mesmo de ter os dados que possam separar realidade de fantasia, razões essas que fazem o cético não pender nem pra um lado, nem pra o outro. Declarar-se cético é altamente positivo, enquanto que mostrar-se incrédulo pode se caracterizar como uma postura bem pouco inteligente e claramente pretensiosa, já que refratária a tudo o que desconhece e onde o indivíduo se coloca no pedestal mais elevado do conhecimento, como se este patamar pudesse ser atingido .
22. Tantas formas diferentes de se olhar para a mesma coisa não agravam o quadro de descrédito e oferece munição para os incrédulos se firmarem em suas teses para desacreditar até mesmo o que já se tem como fato inequívoco e comprovável?
Resp. – Com toda certeza é uma das razões para que muitos até abandonem suas buscas no meio do caminho por ficar quase impossível separar joio do trigo. Boa parte se esquece que 90% de histórias fantasiosas não invalidam os 10% restantes de fatos incontestáveis. Mas muitos do que se viram um dia nesse mesmo dilema podem começar a entender as “tribos” de que falamos como graduações idênticas às aplicadas às religiões, de modo a medir seu grau mais etérico ou mais denso. E cada indivíduo saberá exatamente a posição que estará na escala naquele momento, bem como irá perceber de forma inequívoca quando avança nela para outro estágio de compreensão mais elevado em relação ao anterior.
23. E de que forma esses dois momentos são percebidos?
Resp. – Ele “sentirá” seu momento atual de forma bastante natural ao perceber uma forte resistência interna para aceitar um avanço naquele modelo que já tem consolidado em si mesmo como parte de suas convicções. Exemplificando: se vejo os fenômenos ufológicos em seu aspecto puramente científico, isto é, como uma exploração do espaço nos mesmos moldes que algum órgão oficial, como a NASA, o faria, provavelmente não vou levar a sério as pessoas que os incluem no mesmo “projeto divino” da humanidade, por exemplo. Dessa forma, claro está que meu limite de credibilidade está fixado no ponto em que a ufologia revela relação direta com a ciência utilizada no planeta.
Mas o acúmulo de informações ao longo de determinado tempo pode resultar numa associação entre elementos que não fora percebida até então, e pouco a pouco o que ela vai revelando começa a fazer bem mais sentido que o limite estabelecido no estágio anterior. E é quando se percebe que demos um passo a mais no entendimento do todo, deixando para trás a visão de suas partes, apenas, como acontecera até ali. Assim, a visão integral da “escala de medição” parece pular à nossa frente, e é quando se adquire a certeza de que avançamos agora com passos muito mais largos.
24. Poderia exemplificar esse processo diferenciado de percepção sistêmica?
Resp. – É um momento em que ainda existem vários “ pontos cegos” quando olhamos para a frente, para a ponta ainda não explorada da régua, mas já conseguimos perceber tanto a parte percorrida quando sentir que ela se estende à frente, e que seguimos avançando cada vez mais rápido no percurso. E de que forma? As “interfaces” das diversas peças do quebra-cabeças vão se mostrando cada vez mais perceptíveis ao ponto de revelar grande parte de seu desenho e permitir “adivinhar” a parte faltante, ou seja, concluir que se avança para a compreensão de algo que antes não admitiríamos sequer como razoável face à sua absurda distância do potencial de compreensão. Direto ao ponto: você se percebe abandonando a tese de que inteligência extraterrestre seja tema exclusivo da ciência, e não do campo espiritual. E isso não ocorre em forma de “conversão”, como entre seguidores de uma doutrina qualquer, mas por efeito de peças que se encaixam em conexões absolutamente lógicas onde você simplesmente se sente “despertado” para elas, e não porque ficou buscando os encaixes por si mesmo. Num momento só se admite métodos ditos científicos,,, Essa mesma ciência, porém, abre-nos a cabeça para o palpável e o impalpável igualmente reais. Depois nos envereda por trajetórias quânticas, buracos de minhoca, formas de transporte não físico da matéria, já inseridos no contexto da própria ciência. Em decorrência se admite que espécies alienígenas diversas se faz tão lógico quanto espécies vivas dos diferentes pontos do planeta e que, como aqui, umas são mais avançadas, outras menos; umas se assemelham a nós, outras não; algumas são claramente visíveis, outras imperceptíveis, e assim por diante. Chega um momento que concluímos que a idéia de um ser vindo do espaço que se materializa diante de nossos olhos pode ser apenas uma questão de tecnologia, e não de “milagre”, e que suas naves passando entre dimensões em vez de percorrer o caminho físico entre dois pontos no espaço não parece assim tão absurdo como antes, mas tão simples como ligar um interruptor diante de um indígena de uma tribo isolada que nunca conheceu a civilização e por isso não tem como entendê-la.
A partir deste nível de entendimento o “impossível” de agora não passará de um estágio de subdesenvolvimento a ser superado, que dependerá simplesmente da reformulação de alguns dos conceitos que mantivéramos estacionários até então.
25. Seria este o momento do “choque de realidade” que gera tanta resistência a tais conceitos por parte das religiões?
Resp. – Sim, mas as religiões seriam apenas uma parte desse público – ainda que as mais significativas – pois que isso acontece em todo tipo de segmento humano amparado por paradigmas que permanecem inalteráveis por séculos. Atualmente temos dois grupos altamente resistentes: o dos militares e o dos religiosos, ambos com motivos fortíssimos para preservar o “status quo”. Entre os militares o velho argumento da “Segurança Nacional” não se resume a mero discurso vazio. O temor mais que justificado é admitir que o papel de “protetores” junto a seus países terá pouca valia frente a uma tecnologia infinitamente mais avançada e desconhecida, para dizer aos cidadãos de que em caso de um ataque externo eles pouco ou nada poderiam fazer a respeito. No caso das religiões, existe mais folclore e crendices inseridas em seus componentes dogmáticos do que realidades, como todos sabemos, e encarar o fato de que precisariam reformular todos os seus conceitos, e ainda admitir aos seus seguidores que estiveram enganados durante todo esse tempo, com certeza não será tarefa das mais simples, daí a peremptória negação de qualquer evidência que os contrariem.
Em resumo, nada há de absoluto nos conhecimentos que detemos sobre o que exista ou não exista, sobre o que é possível ou inviável, pois que tudo estará baseado nos parâmetros que estabelecemos e do nível de conhecimento que conseguimos alcançar. E aí é que o cético se apresenta como o de perfil mais sensato perante o desconhecido, onde o negar é pretensioso e idiota, e o aceitar sem entender integra o elenco das teses defendidas no plano dogmático, mas não se presta a atestar a realidade.



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