Entre UFOs e Crenças, do primitivismo à evolução #17
Nosso sistema de crenças – por sua complexidade e potencial para provocar uma elenco fértil de abordagens – terá um espaço mais amplo à frente para ser discutido. Pretendo começar este texto então pela conceituação dos outros dois aspectos que compõem nosso título.
Pela definição mostrada no dicionário, o PRIMITIVISMO se caracteriza pela fusão de sonho com realidade, pela qualidade do que se mostra primitivo, inicial, incipiente, ou inaugural. Seus sinônimos também são apresentados como algo “original, esquisito, excêntrico, bizarro ou excepcional”. Mas estas últimas expressões, na minha concepção, são mais geralmente associadas ao seu oposto – que é o NOVO, a MUDANÇA – do que a algo que se teria como “primitivo”, já que mais comumente aplicáveis ao inusitado e diferente do que, propriamente, ao já dominado e conhecido.
Se levada em conta essa interpretação, o primitivismo se mostraria mais relacionado a algo irreal ou ilusório do que a algo que se possa chamar de retrógado ou superado, na minha modesta opinião. Mas o que importa é que ele expresse algo que começou de determinada forma – pela ausência de mais elementos para sua compreensão – e que permita receber acréscimos que vão mudando a ideia original, podendo inclusive terminar diferente ou até radicalmente oposta àquilo que se tinha antes como verdadeiro. Para efeito deste texto, é esta interpretação que será adotada ao longo de seu desenvolvimento.
O segundo termo passa por uma abordagem um pouco diferente: enquanto que o PRIMITIVISMO é um conceito estático, aplicável a algo que se apresenta em estado estacionário e parado no tempo, a EVOLUÇÃO se traduz por uma movimentação em direção a um ponto indefinido qualquer, que vai se distanciando cada vez mais do primeiro e não preveja permanência em nenhum de seus momentos, que chamaríamos de “estágios evolutivos”. Resumindo, PRIMITIVISMO seria o ponto inicial do conhecimento que pode se mostrar definitivo ou não, enquanto que a EVOLUÇÃO não passaria do trajeto em direção a um destino permanentemente desconhecido e incerto.
Pelo prisma das emoções humanas a ciência comprovou que a opção natural e primária do homem será sempre pelo seguro, pelo certo e preciso, do que pelo incerto e duvidoso, que ele traduz como arriscado e inseguro ou, mais precisamente ainda, por AMEAÇA! Permanecer no ponto já dominado pelo conhecimento é, sem dúvida alguma, bem mais confortável e seguro do que arriscar-se rumo ao desconhecido, onde nunca se sabe o que trará nem os perigos que esconde! Pode-se afirmar, por conseguinte, que a tendência mais típica do homem seja apegar-se ao primitivo e ali permanecer, pois que nesse extremo de sua linha do tempo ele acredita não enfrentar ameaça por parte de coisa alguma com que já não saiba lidar! Acredito que todos que dediquem o mínimo de atenção a esta leitura irão concordar, pois que não estamos realizando aqui mais que um exercício de lógica.
Só que essa tendência natural traz consigo um enorme “porém” que assume dimensão de tragédia, e o que, contrariando radicalmente a expectativa humana, se revelará como princípio de sua extinção em vez de garantia de sobrevivência. A aparente segurança buscada no primitivismo o impede de superar toda e qualquer ameaça que consiga romper as barreiras de sua “redoma emocional” e venha a se instalar, por algum fator externo, no universo que ele domina. Nesse contexto ele só conseguira preservar-se caso tomasse a decisão de lutar contra a tendência natural de permanecer onde está, enfrentando o medo de evoluir para esse desconhecido que o deixa tão inseguro!
Não precisamos de mais que um exemplo simplório para descrever o funcionamento desta lógica: na Roma antiga o comum era viver até os trinta anos, em média, e no período medieval quase metade dos recém-nascidos não sobrevivia ao primeiro ano de vida. Quando comparadas, a expectativa de vida da Idade Média e a do Homem de Neanderthal – que habitou a Terra há 350 mil anos atrás – não teve alteração significativa em período tão extenso por meras questões ligadas à higiene corporal. Ela deu causa na Europa, por exemplo, à Peste Negra, que matou um terço da população do continente de uma só vez, apenas para se dimensionar seu potencial destrutivo.
Somente no século XIX (anos 1800) a expectativa da vida humana deu um salto de 30 para 37,2 anos, o que já foi visto como um avanço extraordinário comparado ao passado remoto. E a velocidade do avanço só aumentou a partir de Pasteur, já próximo ao século XX, pela invenção da penicilina e a associação de várias doenças com a higiene pessoal, além do combate aos radicais livres que aceleram o envelhecimento das células, elevando a média nos países adiantados para mais de 83 anos e o passar dos 100 deixando de se mostrar como um evento raro ou surpreendente.
Imagine-se agora se não houvesse pessoas com coragem bastante para abrir mão da segurança do seu primitivismo e arriscar a própria vida enfrentando o desconhecido: com a população mundial envelhecendo em velocidade muito maior do que o número de nascimentos, sem um conhecimento que garantisse partos seguros e com uma média de vida de 30 anos, seguramente nossa raça hoje estaria à beira da extinção.
Retornando à linha, então, entre o PRIMITIVISMO e um ponto desconhecido qualquer que se busque atingir pela EVOLUÇÃO, a conclusão definitiva é que permanecer no primeiro, diferentemente da proposta de se manter seguro, produz um efeito prático exatamente inverso ao esperado, onde aos acovardados tudo se resume a uma questão de tempo para que tomem sua decisão antes que o ponto de irreversibilidade seja atingido no caminho do fim. Significa dizer que a quebra dos paradigmas atuais não vai ficar esperando indefinidamente por uma decisão que não se quer tomar, onde na inércia o fim previsível se mostra apenas como uma questão de tempo.
Entrando agora no pragmatismo de todas essas questões de cunho um tanto quanto filosófico, vamos acrescentar elementos concretos a essa linha do tempo entre o ponto zero do primitivismo e o 100% de amplitude para o que o universo nos queira revelar, e que não sabemos se estamos preparados para admitir sem que um frio nos percorra a espinha por falta de entendimento do que esse suposto ganho em conhecimento possa representar em relação à perda do “status quo” do qual se estaria abrindo mão.
Para encurtar caminho vou pular para o extremo oposto da questão, apenas como exemplo, mesmo que se mostre muito distante da realidade – ou estágio – em que agora me encontro, no que toca ao meu esquema de crenças: o de admitir que a existência de Deus não passe de uma necessidade humana para a insegurança do homem na hora de “pedir socorro” para o que não consegue – ou tem medo – de resolver por si mesmo. Se considerarmos uma linha específica para o esquema de crenças que posso atingir entre a descrença e a certeza da existência de Deus, posso dizer que estaria em meu PRIMITIVISMO, uma vez que toda minha lógica hoje conduz meu entendimento para a crença de um ser superior que deu origem a toda a vastidão tangível e intangível que vejo ao meu redor.
Por que chama-la de “privitivismo”? Porque se trata ainda da mesma crença que me foi incutida desde que nasci, a de que todos somos seres criados pela vontade soberana de um criador, e para o que não encontrei ainda nenhuma hipótese mais válida ainda para substitui-la, e para o qual minha lógica aponta. Portanto mantenho um paradigma que não foi quebrado, como evidência clássica do primitivismo em que me criei: Deus existe! E me afirmo nele para entender minha própria existência.
Outro ponto a entender é o de que um paradigma não existe, necessariamente, para ser quebrado, e por um motivo muito simples: é possível que tenha se instalado em você por se mostrar suficientemente lógico para ser tomado como definitivo por espelhar o maior estágio de avanço possível até aquele momento. Não existe nada que expresse evolução apenas pelo ato de abandoná-lo, simplesmente, sem que se encontre uma motivação racional para isso. Daí porque a manutenção deste minha crença em um superior como paradigma não significa resistência de minha parte a qualquer outra possibilidade, já que estou aberto a qualquer outra que houvesse, desde que ela se mostrasse convincente o bastante para me fazer mudar de ideia.
O fato de nunca chegar a desacreditar de Deus significaria permanecer no primitivismo? A menos que descobrisse algo que fizesse minha lógica dispensar sua existência, como um outro caminho para que o universo houvesse atingido seu estado atual independente de um criador. Por enquanto não alcanço como isso se mostraria possível. Mas o fato de estar, por exemplo, aberto a outras espécies inteligentes nele, e podermos todos ser produtos de uma mesma criação. com certeza já representaria um avanço em relação aos que se aferram à versão antiga. E até admitir que "eles" sejam o produto original de um criador e nós, por extensão, mera descendência deles, se mostraria algo plausível diante dessa abertura, que não se mostra tão radical quanto negar a existência de um criador, mas apenas evoluir para a ideia de que espécies mais evoluídas que a nossa estariam estendendo para um segundo estágio a mesma tarefa criadora. Só isso, no entanto, já seria mais do que suficiente para alterar o nosso atual sistema de crenças por inteiro!
O fato de nunca chegar a desacreditar de Deus significaria permanecer no primitivismo? A menos que descobrisse algo que fizesse minha lógica dispensar sua existência, como um outro caminho para que o universo houvesse atingido seu estado atual independente de um criador. Por enquanto não alcanço como isso se mostraria possível. Mas o fato de estar, por exemplo, aberto a outras espécies inteligentes nele, e podermos todos ser produtos de uma mesma criação. com certeza já representaria um avanço em relação aos que se aferram à versão antiga. E até admitir que "eles" sejam o produto original de um criador e nós, por extensão, mera descendência deles, se mostraria algo plausível diante dessa abertura, que não se mostra tão radical quanto negar a existência de um criador, mas apenas evoluir para a ideia de que espécies mais evoluídas que a nossa estariam estendendo para um segundo estágio a mesma tarefa criadora. Só isso, no entanto, já seria mais do que suficiente para alterar o nosso atual sistema de crenças por inteiro!
Quanto mais diferente se mostrar um novo paradigma daquele que possuíamos antes, mais próximos ficamos do ápice de nossos medos, pois que nos percebemos frente ao desconhecido após transpor o umbral entre o de antes e o de agora, como aconteceria entre os dois extremos de minha fé: a atual convicção da existência de Deus e uma constatação de que ele simplesmente não exista. A linha deste meu paradigma de hoje - o da existência de um ser superior - seria o meu ponto zero até ser convencido de que estive errado. Mas pode representar um estágio quase inatingível a outros que acreditam num deus que eu já acreditei um dia, mas que minha lógica me direcionou para rejeitar, como o deus raivoso e vingador da bíblia judaico-cristã, por exemplo.
Imagine-se aquele menino assustado com o inferno a que seria lançado se desacreditasse dele, mesmo não gostando da ideia de tê-lo nem bem distante no céu, quanto mais vigiando tudo o que ele faria aqui embaixo. O simples fato de me expressar desta forma agora já pode ser vista como uma quebra monstruosa do paradigma desse menino que fui, e do mesmo modo um monte de gente se sentiria aterrorizada neste momento apenas com a possibilidade de que eu possa estar certo, onde esse deus deles se mostraria como tudo o que a gente NÃO PRECISA para ser feliz e muito menos para ser salvo, assim como suas escrituras, suas igrejas e todo o resto que oferece sustentação ao seu domínio sobre nossas vidas.
Imagine-se aquele menino assustado com o inferno a que seria lançado se desacreditasse dele, mesmo não gostando da ideia de tê-lo nem bem distante no céu, quanto mais vigiando tudo o que ele faria aqui embaixo. O simples fato de me expressar desta forma agora já pode ser vista como uma quebra monstruosa do paradigma desse menino que fui, e do mesmo modo um monte de gente se sentiria aterrorizada neste momento apenas com a possibilidade de que eu possa estar certo, onde esse deus deles se mostraria como tudo o que a gente NÃO PRECISA para ser feliz e muito menos para ser salvo, assim como suas escrituras, suas igrejas e todo o resto que oferece sustentação ao seu domínio sobre nossas vidas.
Estive hoje assistindo a um vídeo fantástico do ufólogo Ademar Gevaerd entrevistando um outro ufólogo americano, onde me atraiu especialmente um trecho em que este fala a Gevaerd sobre a resistência em aceitar que diversos episódios bíblicos sobre “elevação aos céus” de seus profetas não passariam de abduções daqueles personagens, numa época em que para eles seria impossível imaginar uma simples geringonça montada com porcas e parafusos... Imagine então esperar que entendessem que estariam sendo levados a uma viagem por seres que vieram de outras galáxias, em vez disso! E ele faz uma comparação muito interessante quando pergunta a Gevaerd: ‘O que você acha que um homem pré-histórico pensaria se chegássemos até ele num de nossos aviões de agora e o convidássemos para um vôo? Tão logo ele voltasse para sua caverna iria espalhar aos outros que havia sido arrebatado por “deuses” que desceram do céu numa carruagem de fogo para mostrar-lhe o paraíso’. E completou com esta pergunta: “Por que com os profetas bíblicos seria diferente, se tudo o que conheciam não chegava nem perto de pessoas voando em naves construídas por eles mesmos? Não seria bem mais natural vê-los como deuses e anjos, que era no que se acreditava em sua época?’
Incrivelmente razoável e lúcida a comparação. Voltando para o nosso tempo, quem pode afirmar que esta minha “heresia” de hoje não possa ser um dia a verdade incontestável dos que agora mantém inabalável convicção de que tudo o que é narrado na bíblia retrata episódios reais da história humana? A questão não recai, na verdade, no fato de que isso aconteça ou não, ou quem esteja com a verdade no paradigma que traz consigo, mas sim no medo que carregamos de admitir uma possibilidade bem diferente daquela de agora, como se o simples fato de buscar a resposta fosse motivo para aquele deus ególotra e vingador da bíblia despejar sua ira sobre nós e nos condenar à perdição eterna.
Mais importante do que quebrar ou não nossos paradigmas é escapar do hermetismo em que os encerramos, mesmo quando todas as evidências apontam em sentido contrário. No meu caso, por exemplo, vejo-me agora anos-luz atrás de um momento que julgue possível negar a existência desse Criador, até porque já o tentei uma vez e não firmei essa idéia por mais do que algumas poucas semanas simplesmente porque não achei uma explicação mais lógica para todo o universo à minha volta. Contudo. já evolui para um deus bem diferente daquele que me ensinaram a temer, como não ter um deus que precise que eu o tema, mas apenas que o ame como ele a mim. Por outro lado, eu nunca poderia enveredar pela crença de uma teoria maluca que lançaram agora, como essa de vivermos numa “terra plana”, por exemplo, e por uma razão muito simples: essa hipótese já foi testada e afastada por milhões de pessoas antes de mim, séculos atrás, e admití-la representa qualquer coisa em termos de retrocesso e falta de inteligência, menos evolução.
Para rejeitá-la não me norteio apenas pelo que os cientistas descobriram depois, mas nas minhas próprias constatações pelo uso das ferramentas que os últimos quatro séculos colocaram ao meu alcance para concordar com os que primeiro revelaram nossa realidade.
Por mais incrível que pareça, o planeta ainda está repleto de gente que trata seu sistema de crenças como se fora uma opção aleatória entre várias alternativas, tipo “eu tenho aqui cinco opções para escolher em qual acreditar”, e em vez de estuda-las cuidadosamente, comparando-as e buscando em sua lógica a que lhe pareça mais razoável, simplesmente age como aquela velha brincadeira de criança do “...mandou bater nesta daqui...” e pronto, fica eleita por adoção, no maior atestado da própria ignorância e resistência ao mais simplório dentre todos os recursos da lógica para realizar uma escolha voluntária, e não como produto de análise. Que me perdoem esses indivíduos e sua descendência ao eternizarem sua mediocridade pela fidelidade à herança que recebem, mas o mundo teria atingido índices muito maiores de evolução não fosse esses critérios idiotas de que fazem uso para construir seus dogmas.
Para concluir, consegui reunir três links bastante interessantes sobre como a cristalização de paradigmas pode ocorrer por força dos parâmetros conhecidos naquele contexto, ou sobre como eles podem ser quebrados justamente quando se descobre de onde surgem essas comparações com o universo conhecido. Tomando a inteligência extraterrestre como base de estudo, é possível comparar tudo o que já se sabe a respeito com os mitos que compõem o folclore da Amazônia, por exemplo, ou com episódios bíblicos narrados pela ótica religiosa dos profetas, ou ainda com a multiplicidade de fenômenos que ainda tratamos como miraculosos apenas por desconhecermos uma forma de interpretá-los à luz de sua real natureza, em vez de pela ótica que não atingiu suficiente grau de entendimento.
A rigor tudo se resume a mera análise de razoabilidade aplicada a tudo o que temos acesso em termos de conhecimento, em lugar de simplesmente discordar de tudo o que se mostrar contrário ao estabelecido. A chave é não opor resistência a tudo que suscite fazer mais sentido do que se vinha acreditando até então, quando submetido à própria lógica, e não porque a maioria insiste em vê-la como antes. Em que consiste essa “lógica”? Apenas no entendimento que se constrói a respeito de algo a partir de um estágio atingido pelo uso de fatores como liberdade de pensamento, abertura mental, superação de medos incutidos, predisposição para reformular qualquer sistema de crenças, entre outros componentes que justificam a inteligência humana.
A rigor, em que se traduz nosso sistema de crenças senão no somatório de todos esses componentes? O que varia é somete a distância que se está da ponta da linha que define o hermetismo absoluto do outro extremo que se traduziria pela abertura ampla e irrestrita para reformulá-lo de forma contínua e incessante, a cada vez que um novo elemento se soma aos já reunidos, e se queira medir o potencial que ele possui para interferir em alguns dos anteriores ou até na integralidade do conjunto.
Lendas do nosso folclore https://www.todamateria.com.br/lendas-do-folclore/
A bíblia pela visão da inteligência extraterrestre https://ufo.com.br/artigos/os-evangelhos-segundo-a-ufologia.html
A “Verdade” sobre os Extraterrestres” https://www.youtube.com/watch?v=2Ea6zThqIEY


Comentários
Postar um comentário