
Contrariando todas as expectativas e riscos de vida que quase levaram seu idealizador a desistir de tudo, o Projeto Disclosure prosseguiu mesmo após o trágico desaparecimento de colaboradores* por conta de revelações sensíveis dessas autoridades da cúpula governamental, que discordavam da política de acobertamento. O que parecia apenas mais uma teoria da conspiração conduziu o Dr. Greer a uma situação desesperadora, não fosse o seu grupo de apoio ter aumentado de algumas dezenas para mais de duzentas altas autoridades do governo, e levados à mídia em depoimentos e conferências realizados por ele como forma de protege-las e também a si mesmo. Como mais uma medida auto-protetiva, Steven Greer produziu os documentários "Unacknowledged" (disponível na Netflix) e "Sirius" (disponível em algumas plataformas).
* O Dr. Eugene Mallove foi espancado até a morte após denunciar segredos da alta cúpula do serviço secreto (mostrados no documentário "Sirius");
O cientista e inventor John Searl teve a casa incendiada, seu trabalho destruído, e foi preso por inventar um propulsor de energia não convencional que ameaçava o monopólio da indústria energética,
Dr. Shari Adamyak, principal parceiro de Greer, apareceu morto num lago por suposto suicídio nunca esclarecido.
Depois que se assiste ao filme produzido pelo Dr. Steven M. Greer pela quarta ou quinta vez, acaba-se descobrindo tudo o que ele não é, já que todas as tentativas de classificá-lo pelos parâmetros convencionais vão sendo desconstruídos a cada releitura de sua obra, ao mesmo tempo em que, de certa forma, acontece com o que somos – ou que pensamos que somos – em relação ao Universo que nos rodeia! Como observador externo da história que ele vai revelando em cada detalhe inicio um mergulho profundo e desconcertante que não se sabe aonde vai dar. Se nos primeiros minutos se pensa estar assistindo a mais um filme sobre UFOs, os momentos que se seguem revelam um quadro aterrorizante de crimes que vão lançando por terra todo o entendimento que o expectador pensava construir no decorrer de sua exibição.
Ao final, como geralmente acontece com pessoas que criam textos a partir de suas percepções – como é o meu caso – me descubro com enorme dificuldade para dar título ao que assisti, como também de classificar o trabalho do diretor como meio de orientação aos que o buscariam com base em minha análise prévia. A sinopse a que tive acesso não se aproximava minimamente do redemoinho mental e emocional que se instalou em mim, o que provavelmente deverá ocorrer com outra pessoa que o assista com atenção maior do que a de simples expectador atrás de alguns momentos de lazer. No máximo uma ou outra palavra ali se prestaria a passar uma idéia, ainda que vaga, do que possa conter, mas ainda assim, muito aquém do surpreendente potencial do documento de confrontar a realidade que pensamos conhecer. Tratá-lo de “documento” talvez sirva como rascunho de classificação para encaixá-lo em alguma categoria específica, pois que vai desvelando fatos que, no conjunto, vão sendo transformados num amplo material de estudo sobre os rumos que a humanidade escolhe dar à própria existência, mais até do que apenas conhecê-la para tentar seu entendimento.
Tudo o que escrevi até aqui se resume a percepções pessoais sobre a investigação do Dr. Greer, antes de abordar o conteúdo em si. Talvez por se tratarem de realidades muito distantes do cotidiano que chega até nós, enquanto indivíduos que não convivem com os personagens envolvidos nesse drama existencial que extrapola todos os limites da ficção que lhe queiramos atribuir. Os mais céticos irão precisar de uma boa dose de traquejo para construir os argumentos contrários de sempre, em meio às muitas teorias conspiratórias que se acostumaram a derrubar com relativa facilidade, pois que os apresentados por Steven Greer são sólidos o bastante para contrapor retóricas pouco consistentes que, pelo menos para ele, há tempos deixaram de integrar o conteúdo das teorias conspiratórias usadas justamente para descaracterizar tudo o que não se quer revelado.
Minha impressão mais genérica sobre o documentário é que a questão dos UFOs vem mais como “pano de fundo” para a enxurrada de denúncias que ele traz à luz do que propriamente como tema central do enredo. Na realidade, tudo que se espera no início acaba ofuscado pelo desenrolar das revelações sobre os bastidores de um governo conhecido por dar sustentação a um "mundo paralelo" que deixa de fora a humanidade inteira, e dentro dela apenas os que conduzem o espetáculo da vida humana. Fica-nos a impressão de que para estes só existe essa realidade que comandam e, do outro lado da cortina, uma platéia de oito bilhões de expectadores que não precisam – e nem devem – saber o que acontece nos bastidores. E quanto menos conseguirem enxergar da poltrona onde se posicionam, mais fácil emprestar realidade ao espetáculo que seus roteiristas desejam produzir.
A alguns convidados mais importantes eles até concedem o direito de uma visita à “coxia”, desde que não tenham acesso aos camarins onde os atores se mostram tais como são, sem a "maquiagem" exibida no palco. No caso de Unacknowledged o que temos é um desses raros momentos de deferência especial – ainda que a contragosto – quando algumas figuras ilustres e emblemáticas se dispuseram a ultrapassar o limite permitido da coxia que margeia o espaço cênico. Quem o dirige está confiante de que sempre poderá lançar mão dos costumeiros ardis para impedir acesso aos camarins. Só que desta feita os "loucos" e temerários “invasores” – com a determinação de um Van Helsing – superaram o medo da própria vida em risco para ir bem mais longe do que o desejado.
O resultado é um forte impacto – pra se dizer o mínimo – ao nos virmos perdidos entre o real e o imaginário, entre a verdade dos bastidores e a da platéia, entre o factível tal como se pretende mostrá-lo e como ele realmente é. O acesso, evidentemente, não é para pessoas comuns, mas alguns poucos conseguem um “bilhete vip” para uma “live”, desde que a maioria siga pensando tratar-se apenas de mais um conto de ficção.




O documentário "Unacknowledged" é o resultado de um longo trabalho de pesquisa do Dr. Steven Greer, alguém que ousou trocar sua carreira de médico traumatologista respeitado para fundar o SETI - Centro de Estudos de Inteligência Extraterrestre, em 1990. Nele o Dr. Greer consegue reunir 20 personalidades de peso - e bastante corajosas, para dizer o mínimo - dentre altas autoridades americanas que se dispuseram a revelar suas experiências enquanto integrantes do Governo para confessar, inclusive, ter ajudado no acobertamento de fatos altamente secretos a que nem os próprios presidentes americanos possuem acesso (https://en.wikipedia.org/wiki/Steven_M._Greer).
O SETI é uma iniciativa diplomática baseada em pesquisa e especialmente criada para contatar civilizações extraterrestres. Com foco nessa proposta de visão diplomática entre povos distintos, mas situados em um mesmo patamar, os objetivos oficiais da Instituição incluíram nas já conhecidas premissas uma nova categoria de encontros extraterrestres, a CE-5 ou "encontros imediatos de quinto nível", definido por Greer como o que se estabelece a partir da iniciativa humana para a comunicação com essas civilizações extraterrestres que nos visitam, e não da deles conosco. O que poderia ser visto apenas como um detalhe, essa inversão nos encaixa na posição de agentes dessa aproximação, entregando à humanidade o protagonismo das futuras relações com essas inteligências, em lugar de meros pacientes dela, papel este de submissão que sempre nos foi atribuído. O Dr. Greer deixa claro com esta postura o status de um relacionamento que se espera de duas espécies em igualdade de condições, como o reservado a cidadãos de países livres entre nós, e não pela ótica de "conquistadores" provenientes de um mundo civilizado tomando posse de um mundo selvagem para moldá-lo à sua maneira. Como donos legítimos da Terra, precisaríamos ser recebidos na comunidade estelar como tal, e não como "elementos de terceiro mundo" - literalmente, neste caso - à qual deveríamos prestar reverência, a exemplo de como as tribos das américas e da África receberam os colonizadores europeus.
Desde o seu início a organização já investiu US$ 5 milhões para atingir seus objetivos, afirmando haver reunido milhares de provas desses contatos, inclusive envolvendo pilotos das Forças Armadas e astronautas das agências espaciais, alguns hoje integrando o projeto do Dr. Greer de revelação irrestrita do fenômeno. Ele acredita que a Terra tem que ocupar seu espaço no processo primeiramente assumindo a realidade que insiste em jogar para debaixo do tapete, como um avestruz que enterra a cabeça no buraco em lugar de enfrentá-la; e em segundo lugar entrando no relacionamento com o universo exterior pela porta da frente, como integrante do cosmos que olha de igual para igual o seu vizinho, e não como uma tribo de selvagens sendo colonizada por outra mais evoluída. E ele tem muitas razões quando afirma que, se quisessem nos conquistar dessa forma, eles já o teriam feito há muito tempo, e nisso muitos estudiosos do assunto concordam plenamente com ele, com base nestes argumentos:
- Seria muito mais fácil que o fizessem quando não existia tecnologia alguma para lhes oferecermos resistência;
- A tendência de uma civilização evoluída é a de trocar experiências e aprender com elas, o que se faz muito mais proveitoso para ambas, e não a de dominação;
- A relação entre uma massa de conquistadores e outra de dominados é de permanente estado de conflito, pois que exige vigilância contínua por parte de uma e sucessivas tentativas de rebelião pela outra, o que dificulta as coisas para que ambas possam atingir seus objetivos;
- Não há histórico de relacionamentos longos e estáveis que não tenham substituído o estado de enfrentamento pelo de cooperação espontânea, e isso não exclui sequer espécies menos inteligentes, já que instintivamente percebem mais vantagem no suprimento de necessidades entre o mais forte e o mais fraco para um convívio pacífico;
- Em qualquer processo "ganha-ganha" pode-se usufruir por muito tempo dos recursos sob domínio das partes, enquanto que no processo de subtração predatória eles se esgotam rapidamente, com prejuízo para ambos os lados.
E caso se quisesse, esta lista de vantagens poderia ser ampliada indefinidamente, o que por si só já oferece sustentação para a tese de que essas raças que nos visitam não o fazem com motivações hostis. E mesmo que dentre elas existam algumas com objetivos contrários, nossa simples permanência no planeta nesses milhões de anos já demonstra que outras forças mais poderosas que elas ainda são maioria, e isso faz todo sentido!
Em 1993 o Dr Greer criou seu Projeto de Divulgação, a que chamou de "Disclosure Project" - um programa de pesquisa cujo objetivo é divulgar ao público o conhecimento dos governos sobre OVNIs, inteligência extraterrestre e sistemas avançados de energia e propulsão, até agora não assumido pela maioria deles, em um esforço conjunto para conceder anistia a denunciantes do governo dispostos a violar seus juramentos de segurança através do compartilhamento do conhecimento interno que trazem sobre inteligências não humanas reunidas ao longo da carreira nesses órgãos estatais. Se conseguido seu intento apenas junto ao governo dos EUA, é evidente que a postura será imitada por todos os demais, já que representam o mais poderoso sistema de defesa de todo o planeta. Greer já afirmou em encontros públicos ter dado um "briefing" de toda documentação ao diretor da CIA, James Woolsey, durante um jantar acertado entre eles, embora Woolsey tenha declarado que "ouviu educadamente" as ponderações do especialista, e é compreensível sua postura pelo menos enquanto não houver um amplo e irrestrito entendimento a respeito do acobertamento mantido desde 1947 pelos EUA.
Não são poucos, no entanto, os eventos em que o CEO da SETI apresenta publicamente a farta documentação que afirma possuir e tem exibido por todos os meios disponíveis, como no especial de TV de Larry King (The UFO Coverup, 1994), e mais recentemente em plataformas como a Netflix e o You Tube, ou no próprio Congresso Americano em 1997, juntamente com várias outras autoridades favoráveis à abertura das informações secretas, como o astronauta Edgar Mitchell, da missão Apollo, que fez a apresentação de um "briefing" para todos os congressistas presentes à sessão daquele dia. Suas atividades crescentes no SETI, devido ao volume de atividades que passou a desenvolver principalmente a partir do Disclosure Project, acabaram por forçar o Dr Greer a desistir de sua carreira como médico de emergências traumatológicas para se dedicar exclusivamente ao projeto de abertura, que vem conseguindo um número cada vez maior de adesões por altas autoridades e antigos integrantes de projetos secretos ligados ao governo.
Em maio de 2001 o Dr. Steven Greer deu uma entrevista coletiva ao National Press Club em Washington, D.C. que contou com 20 ex-oficiais da Força Aérea, Administração Federal de Aeronáutica e oficiais de inteligência, o que resultou no seu livro "Não Reconhecido: Uma Exposição do Maior Segredo do Mundo" em 2017 e acabou transformado em tema deste documentário ainda disponível na plataforma da Netflix, sendo dirigido por Michael Mazzola, que sem dúvida é a obra mais relevante dos últimos tempos devido à sua importância como predecessora de uma nova era em que o Dr. Greer aposta: a das relações com civilizações de outros sistemas interplanetários. Pela sua relevância, e por não ser possível baixar o filme da plataforma, ele permanece acessível apenas a assinantes da Netflix, que detém os direitos de exclusividade sobre sua divulgação. Mas como a proposta pela ótica do Dr. Greer é a do conhecimento irrestrito levado ao maior número possível de pessoas, ele lançou o filme "Sirius" na plataforma do You Tube, que pode ser acessado por qualquer pessoa.
As razões de todo o acervo documental do Dr. Greer ainda não ter sido exposto ao grande público não se deve, obviamente, à falta de empenho por parte do SETI mas, principalmente, por conta da enorme resistência dos governos de todo o mundo, que ainda não estão convencidos de que não poderão esconder o que sabem por muito mais tempo, mas cujos fatos já começam a fugir ao controle após sete décadas de contínuo - e inútil - acobertamento oficial. Mas já é um enorme passo a constatação de que, pelo menos no que toca ao SETI e ao Dr. Greer, existe um respeito da comunidade científica pelo seu árduo trabalho de quebra de paradigmas e também uma visível trégua pelo governo americano das tentativas de desacreditar suas ações, uma vez que fazê-lo implica em clara agressão à reputação de autoridades de elevado índice de credibilidade nos Estados Unidos, com o risco ainda do descrédito acabar no colo do Serviço Secreto.
Pessoalmente não é difícil entender os motivos dos governos, que vai muito além do tão propagado receio de pânico coletivo. A revelação não é algo que ficará restrita à mídia, como quando se escolhe ver um filme de ficção ou o documentário de uma história real, mas algo que irá exigir uma transformação profunda de todos os conceitos humanos em sua perspectiva histórica, religiosa, científica, econômica, tecnológica, social, e tudo o mais, não ficando pedra sobre pedra na forma como as construímos. Ao fim de tudo, os governos não têm a mais vaga idéia de como gerenciar uma mudança de tal proporção, bastando usar apenas o nosso sistema de crenças para se entender a revolução que isso irá causar no planeta como um todo. As crenças humanas ainda são elementares demais, simplórias e selvagens demais para encarar uma realidade de tal envergadura!
O que os governos estão tentando evitar, na verdade, não é o tão decantado pânico que possa acometer a população, mas sim como conseguirão manter controle do caos que essa fera acuada poderá produzir diante da contingência de enfrentar todos os seus fantasmas de uma única vez! E eles precisam de tempo, enquanto se sentirem no controle, para fazê-lo em doses homeopáticas, de modo a que o mundo não saia do prumo e vá se acostumando ao "conta-gotas" das notícias sendo trazidas aos pouquinhos, por etapas, como se percebe até no comportamento da cúpula do Vaticano, nos sucessivos e cada vez mais constantes pronunciamentos oficiais desde João XXIII. E não é tão difícil entender, então, que os governos ainda se comportem de uma forma tão contida e, naturalmente tão... humana, já que, afinal de contas, esse é o papel que lhes foi reservado. Há portanto que se ter paciência para não colocar o carro na frente dos bois, até que o processo de transição amadureça o suficiente para arrumar todas as coisas em seus devidos lugares, em vez de transformá-lo num caos de proporções estratosféricas que não permita nenhum controle.

O principal objetivo aqui não é apresentar verdades prontas, mas discutir o tema para se chegar a hipóteses que agreguem entendimento. Se o que leu despertou-lhe o desejo de perguntar algo ou colocar sua própria opinião a respeito, use livremente o espaço de comentários para formulá-la ou a envie pelo endereço luizroberto.bodstein@gmail.com, que prometo responder tão breve quanto possível.
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