O fenômeno OVNI e hipóteses sobre inteligência extraterrestre - Parte III #4 S.III/X
PARTE III
P – Se as visitas ou a presença desses seres do espaço entre nós são reais, por que eles ainda não se mostraram abertamente, permitindo que governos e religiões do mundo inteiro continuem negando sua existência?
R – Face o significativo e crescente número de relatos ocorridos ao longo de séculos, especialistas do fenômeno atualmente defendem que a hipótese mais provável, diante de todas as evidências já reunidas, é de que as visitas desses seres extragalácticos já ocorrem desde os primórdios de nossa história mas, diferentemente do que se pensava, a dinâmica desse contato tão próximo não é o de interferir no nosso contexto conhecido, como se temia, pois senão já teriam feito isso há muito tempo atrás, dado às evidências mais remotas de sua presença entre nós. Com base nessa hipótese de se manterem como "pesquisadores anônimos", o que mudaria tornar ou não pública sua presença entre nós?
P – Mas tendo vindo de forma tão intensa e permanente, não se torna incompreensível que não tenham estabelecido um contato aberto, como se espera de alguém que demonstre tanto interesse pelo planeta?
R – Aí é que está a diferença maior entre o pensamento da ufologia antiga e da atual. Não se acredita mais que nos visitem com um objetivo pontual, para depois voltar para seus locais de origem com um resultado definido, como fazemos nas nossas missões espaciais. A lógica diante de um período tão extenso sem que se mostrem de forma explícita denota um interesse muito maior e bem mais complexo do que simples missões exploratórias sobre nossos hábitos e costumes. A dinâmica, quando avaliada por uma ótica sistêmica que se estende da era pré-histórica do planeta até nossos dias, é de que teriam um interesse bem mais amplo e permanente do que atender uma curiosidade sobre aspectos estanques de nosso modus vivendi. O comportamento que se observa no todo desse longo histórico de presença “não evidente” é de que não há uma diversidade de intenções, mas um grande e único propósito fazendo uso de uma diversidade de ações que vão juntando como as peças de um quebra-cabeças, para que seu objetivo maior - que não conhecemos - seja atingido.
Por outro lado, a dita revelação teria profundas implicações de toda ordem em nosso sistema social, a começar pelas crenças humanas, o que exigiria uma revisão completa de nosso entendimento acerca do universo. Valeria à pena uma revolução estrutural como essa apenas pelo reconhecimento do fenômeno? A revelação oficial, por esse prisma, se mostraria muito mais prejudicial do que benéfica devido à paranoia que se instalaria no planeta.
P – Que tipo de objetivos de longo prazo, por exemplo, essas civilizações extraterrestres poderiam ter em relação a nós?
R – Imagine projetos de longuíssimo prazo que precisariam não só de sucessivas gerações, mas até de uma sucessão de eras para que se pudesse chegar a um resultado conclusivo. Eles poderiam, por exemplo, estar buscando conhecer o resultado de uma experiência genética realizada em nossos ancestrais muito tempo atrás na nossa história. E assim sendo, só uma observação contínua permitiria constatar os resultados conseguidos, e os impactos da experiência deles em nossa vida atual como decorrência do processo evolutivo, para que pudessem compará-los com nosso estágio no momento em que a realizaram, há milhares de anos atrás.
P – Algo que levaria milênios para se perceber uma mudança efetiva na constituição física e intelectual da espécie humana.
R – Exatamente assim. Imagine-se, apenas como exemplo, que tenham encontrado nossa espécie em estado selvagem, ainda lá nos primórdios da pré-história, e tomado a decisão de acelerar o processo evolutivo com todo seu conhecimento científico para verificar o resultado que poderiam obter com a mudança de nosso DNA, visando o aprimoramento da espécie que eles acreditem ser possível atingirmos com sua ajuda. Ainda que parecendo uma interpretação romântica do processo, é o que faz mais sentido quando olhado de forma sistêmica ao longo de todos esses séculos de evidências de que nos visitam. Isso explicaria a postura deles de não interferência em nossa vida, pois ao pesquisador só cabe observar a evolução natural do processo até que o resultado se revele inequívoco em relação ao que precisam saber. Se nos estudam, agem como qualquer cientista o faria.
P – Se nossos cientistas estiverem corretos na tese de que teriam inseminado em nossa espécie uma mudança genética de longo prazo, onde estaria a prova?
R – A pergunta remete à aspectos conhecidos da nossa história mais remota, e que, justamente por se estenderem por milênios, não consegue ser percebida em seu todo – com início meio e fim – mas somente como se fossem fragmentos isolados e sem correlação uns com os outros. É como se você abrisse a bíblia em uma página qualquer e lesse alguns versículos de um determinado capítulo, sem contudo entender toda a sequência de fatos que precisaram acontecer para que aquele momento fosse possível, e nem o que ele trouxe como consequência para as gerações seguintes. Seria preciso então que todos os livros estivessem completos e colocados em sequência desde o Gênesis do Antigo Testamento para que fosse possível entender a história toda desde o início da narrativa até sua conclusão, no Apocalipse do Novo Testamento, que o sucedeu. Essa visão de longo prazo faz muito mais sentido para o entendimento desse período tão extenso de "não revelação de presença" do que buscar um objetivo isolado para cada visita, para cada episódio de abdução e assim por diante, que coloca o processo sob uma ótica microscópica diante da macro visão que se precisa obter.
P – E como aconteceria essa troca da percepção circunstancial e segmentada por essa consciência sistêmica que você acabou de mencionar?
R – Essa é a parte mais interessante desse entendimento. Seria reunindo todos os dados que acumulamos ao longo da história de forma inteligente e ordenada, ou seja, buscando as interfaces e ligações entre elas, exatamente como buscaríamos a face de cada peça para encaixá-la no gigantesco quebra-cabeças que revela a figura completa no final, colocando cada uma delas no espaço vazio em que só ela se encaixa, até se formar o todo que precisamos conhecer
P – E esse novo método de compreensão do fenômeno tem melhorado a forma de lidar com ele?
R – Sem a menor sombra de dúvida! Imagine-se um monte de peças soltas e independentes que não sabemos porque estão ali, para se descobrir depois que não são coisas diferentes, como se supunha, mas apenas partes de um único todo, precisando apenas disso para entendermos o desenho maior. Ninguém mais perderá tempo tentando entender apenas a peça que tem nas mãos, posto que não mostra nada, mas se concentrar na interação do conjunto que pode elucidar todo o enigma, não é assim?
P – Significa dizer que estamos bem mais próximos de solucionar o mistério da relação entre humanos e extraterrestres?
R – Pelo lado dos que estão preocupados em organizar todo o quebra-cabeças, sim. Mas para aqueles que não alcançam o sentido sistêmico e seguem focando apenas na parte com que se acostumaram a lidar, o processo de compreensão se revela bem mais complexo, talvez uma barreira intransponível para a conclusão, graças ao apego que desenvolveram pelo objeto de suas visões acanhadas. Em linguagem bem atual, é como combater um sintoma de perda do paladar com xarope para gripe, ignorando que é só um sinal de contágio pelo vírus que se alastrou por efeito de uma pandemia.
P – Está-se falando da quebra dos grandes paradigmas da humanidade...
R – Exatamente! E aí está situada a grande chave da questão. Para admitir uma realidade dessa dimensão, como entender o processo contínuo de visitantes extraterrestres entre nós por milênios, as pessoas que nunca admitiram tal hipótese precisariam renunciar a tudo o que reuniram de conhecimento até este momento. Representaria a maior quebra de paradigma de toda a história humana, onde todo o seu esquema de crenças seria posto à prova. Exigiria que repensassem todos os conceitos que lhes foram incutidos desde sempre, abrir mão de toda a história construída e erguê-la novamente do zero! Não se pode pensar nisso como algo simples, tipo atualizar o sermão do pastor em sua igreja, mas o maior desafio com que a humanidade já se deparou. Imagine o impacto disso na vida das pessoas. Daí se entender a questão dos acobertamentos pelos governos. Os efeitos dessa descoberta podem ser maiores do que os de uma bomba nuclear, a ponto de muitas populações não conseguirem suportá-los.
P – E onde se situaria, exatamente, o ponto de confronto?
R – Existem duas grandes vertentes nesse difícil processo de assimilação: um é o político – que cuida da forma de gestão pelos governos dos países para que o caos não se instale na população mundial pelo terror diante do desconhecido que irá certamente mudar tudo em nossas vidas. O outro é o religioso, onde as pessoas se descobrirão sem chão com a derrubada de dogmas sobre os quais se estruturaram ao longo de toda a existência, que serão derrubados de uma única vez para dar lugar a algo diferente de tudo o que acreditaram até então, ou seja, vendo-se diante da revisão total e absoluta de seu esquema de crenças, princípios e valores!
P – Como se poderia ilustrar esse processo através de um exemplo prático?
R – Começando pelo mais simples, a humanidade traz desde sempre uma série de percepções sobre as origens de sua história em forma de mitos ou lendas. Todas as raças existentes na face da Terra tiveram introduzida em sua história uma determinada versão – simbólica ou não – que funciona como uma explicação de sua origem. A mitologia de um grupo social – como o caso da grega e da romana – são formas expressivas de estabelecer seu esquema de valores com base nos personagens que revelam, tidos como exemplos das regras de conduta nas quais aquele povo poderá se espelhar. Essas mitologias, por definição, transformam os personagens mitológicos em símbolos de uma nação através da forma de pensar de seu povo.
P – Significa que se teria de começar repensando a própria origem?
R – Sim, pois a regra geral é que todos partimos de uma origem divina – os deuses que ocupam o patamar mais elevado da nossa escala de valores – e que descem até os mortais, cujo objetivo seria elevar estes últimos por meio de um caminho indicado por eles. Todas essas mitologias, como se sabe, em muitos momentos abordam um tipo de promiscuidade – ou encontro – entre o divino e o humano, que resulta em "semi-deuses", uma espécie híbrida que mistura o divino e o humano: um deus com uma mulher humana, ou um humano com uma deusa. Hércules, para a tradição grega, seria fruto dessa fusão, daí tido como "semi-deus". Todos trazemos em nós o desejo de sermos especiais, de representar essa mistura do divino com o humano, e daí nosso apego irrestrito à ideia de deuses nos regendo para nos imbuirmos de nossa própria importância. Abrir mão disso é extremamente doloroso à espécie humana, pois que nos retira o status de especiais para nos situar como "comuns", algo que abala nossa autoestima. Daí entender seu extremo apego à tal condição, grande o bastante para justificar sua enorme resistência a qualquer coisa que a ameace.
P – E onde essa relação entre seres celestiais e humanos faz paralelo com alienígenas?
R – Por meio da transposição quase automática da ideia do ser celestial que desce à terra para melhorar os humanos. Assim o ser divino cumpre seu papel de tirá-los da condição de simples mortais e transformá-los em deuses para desfrutarem juntos – criador e criação – do paraíso comum a ambos. Os seres extraterrestres, como nos acostumamos a entender, fariam o papel desses seres celestiais, que descem do infinito para aprimorar a raça humana.
P – O que significa dizer que esse mesmo modelo se aplicaria ao esquema de crenças montados pelas religiões para justificar a existência dos homens...
R – Exatamente assim! As escrituras sagradas que todas possuem poderiam ser consideradas como o “script” a ser seguido por todos os seus adeptos, de modo a perpetuar os preceitos que seus fundadores estabeleceram na origem. Eventualmente, com a dinâmica da existência mundana, alguns “ajustes” são realizados no script pelos responsáveis pela sua manutenção, de modo a adequá-lo a um novo momento histórico. O Concílio de Nicéia, por exemplo, realizado pela igreja católica, que deu origem a todas as religiões cristãs, foi um desses momentos de “ajuste” necessário. Basta dizer que o número dos livros apócrifos – os que foram retirados da versão original – é maior que o da Bíblia canônica. É possível contabilizar 113 deles que foram “expulsos” das escrituras, 52 em relação ao Antigo Testamento e 61 em relação ao Novo. Exemplos mais significativos desses apócrifos são “Os Evangelhos da Infância” (que relatava passagens da infância de Jesus do nascimento até a adolescência, do que se sabe quase nada), a História de José, o carpinteiro, A vida de João Batista, Evangelho dos Hebreus, e Evangelho dos Nazarenos, entre muitos outros. Apesar de ensinado que os livros sagrados são ditados por Deus, o homem sempre os utilizou conforme sua conveniência para não perder adeptos, sempre que se concluía afastarem-nos mais do que trazer novos.
P – Esse seria um exemplo do estrago que uma verdade maior e diferente poderia promover no esquema de crenças das pessoas mais fechadas no modelo antigo...
R – Correto. Seria algo bem maior do que conseguiriam lidar, em muitos casos. Esses ajustes em forma de concílios se propunham a remover das escrituras tudo o que seus dirigentes, a partir de um determinado momento, entendiam se tratar de “informação demais”, ou “conhecimento perigoso”, que lhes tolhesse o exercício de controle. Do conteúdo que chegou até nossos dias ainda se pode encontrar em Gênesis 6:2 a narrativa sobre anjos que desceram dos céus para fazer sexo com mulheres humanas: “Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”. Aí se revela um estranho paradoxo: como anjos poderiam fazer sexo? Anjos, pelos parâmetros ensinados, são seres espirituais, não sujeitos a tais necessidades mundanas, nada que possua corpo com emoções atreladas ao prazer pelo sexo. Mas eles fizeram sexo, conforme é narrado, o que já deixa claro o paralelo com as suposições alusivas ao nosso tema: naquilo que os antigos chamavam de “anjos”, na realidade já se estaria tratando de seres extraterrenos que buscavam mulheres humanas para experiências genéticas de aperfeiçoamento pela procriação híbrida entre sua espécie e a nossa, nos mesmos moldes em que atualmente se relata os casos de abdução tanto de mulheres – como o caso de Giovanna Podda, na Itália - quanto de homens, como Antonio Villas Boas, no Brasil. Ambos seriam exemplos de abduções baseadas em pesquisa genética alienígena buscando criar uma espécie hibrida de sua raça com a nossa.
A dedução lógica é que são as necessidades humanas que dão origem aos relatos sobre deuses conforme o padrão em que se precisa acreditar, e não o contrário, e por isso os eternizamos em nossos livros sagrados. Significa dizer que o homem não recebe suas regras diretamente de Deus - como relatado no episódio de Moisés - mas os cria de forma a ajustá-los aos interesses humanos.
Uma última questão a ser trazida à pauta é que a ideia de seres extraterrestres não substituem, necessariamente, a necessidade humana de acreditar em um deus, mas apenas a amplia: em vez de sermos a criação máxima de Deus, teríamos "irmãos" espalhados por todos o universo. Só que essa versão, mais uma vez, atinge a cerne da nossa vaidade humana de nos vermos como "seres especiais", e que buscamos estender a tudo o que nos rodeia, como mostram estes casos bem conhecidos: a igreja católica atacou Copérnico e Galileu por revelarem que a Terra não era o centro do universo, e queimaram Giordano Bruno na fogueira pelo mesmo motivo; as religiões fundamentalistas rejeitam a ideia de alienígenas porque retira de seus seguidores a pretensão de "seres escolhidos", e os terraplanistas criaram até um modelo próprio de planeta para nos diferenciar de todos os demais astros do cosmos, que são esféricos. Para estes apenas a Terra - criada por Deus como um presente à espécie humana - precisa ser diferente para que eles continuem se sentindo especiais.
Em suma: nossa espécie sempre se colocará contra tudo o que contrarie seu instinto natural de se colocar no centro de todos os demais componentes que integram seu universo, seja em seu aspecto físico ou abstrato, e destitui-lo de seu egocentrismo sempre se revelará um desafio hercúleo o bastante para mantê-lo o mais distante possível das verdades que precisaria conhecer!
O principal objetivo aqui não é apresentar verdades prontas, mas discutir o tema para se chegar a hipóteses que agreguem entendimento. Se o que leu despertou-lhe o desejo de perguntar algo ou colocar sua própria opinião a respeito, use livremente o espaço de comentários para formulá-la ou a envie pelo endereço luizroberto.bodstein@gmail.com, que prometo responder tão breve quanto possível.
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