O fenômeno OVNI e hipóteses sobre inteligência extraterrestre - Parte V #6 S.V/X






Parte V

A origem de nosso sistema de crenças e seu atual paradigma



Com a ideia de que todo o entendimento construído sobre a trajetória cumprida desde o surgimento do homem no planeta possa estar equivocada, o confronto entre o antigo e o novo pode ter o peso de uma catástrofe na estrutura da sociedade como um todo. Saberíamos lidar com suas implicações? Qual seria o resultado da substituição do Olimpo de nossas mentes pela nova ordem de uma interação cósmica em curso no espaço sideral?



P – Qual a razão para a humanidade buscar suas origens na crença do divino?
R – Essa é uma pergunta que sempre se fez, para a qual se construiu muitas explicações, mas para que jamais se terá uma resposta única. Desde as primeiras visões do mundo o homem percebeu-se diante de coisas muito grandes, quando comparadas à fragilidade que sentia em si, e precisou de algo bem mais poderoso que ele próprio para protegê-lo. Possivelmente daí lhe veio a ideia de estabelecer seu sistema de crenças para aproximá-lo desse poder e sentir-se parte dele. Esse é um instinto básico da sobrevivência, onde o ingressante no sistema precisa de algo maior que o proteja da realidade na qual não pode interferir. Sua postura será sempre a de buscar por esse algo mais forte e conhecedor daquilo que ele desconhece para defendê-lo da ameaça externa, ou a de transformar o fator de risco em aliado, unindo-se a ele e trazendo-o para o seu convívio. Daí nascem todos os seus deuses e o sistema de crenças que reforça sua capacidade de lidar com o contexto a ser enfrentado.

P – E como são construídas as convicções que ele seguirá mantendo ao longo de sua existência?
R – Por observação e experiência a princípio, entre tentativas de erro e acerto, e depois pelo histórico que acumulou com o resultado das experiências. Ao olhar para a trilha que fez, sente necessidade de entender como ela começou, onde está e para onde irá leva-lo, e cada vez que não encontra resposta para uma dessas questões ele cria uma, de modo a que o processo tenha continuidade. Assim surgem as explicações para seu passado, seu presente, e sua perspectiva de futuro. Cada indivíduo é resultante de tudo o que vivenciou por si mesmo e da observação da experiência dos demais à sua volta. Aquele que encontra uma resposta plausível para o que observou, compartilha com os outros, e vai se construindo uma história comum, como também as lideranças dos que saem na frente e adquirem o respeito dos que vieram depois.

P – O seu universo divino segue esse mesmo mecanismo de construção?
R – Não exatamente, pois que não provém de observação, mas de algo a que ele precisa dar forma para transformá-lo em algo que possa ser “alcançado”, do mesmo modo que sai em busca das demais coisas. Estamos falando das origens do seu sistema de crenças, mas com o passar do tempo ele já nasce dentro de um, que recebe como herança de seus antepassados, e a partir daí só é preciso segui-lo e repetir os mesmos ritos deles para saber-se aceito e obter o respeito dos que o antecederam. Quando escolhe não seguir o rito recebido, sabe que as coisas se tornarão mais difíceis para seguir em frente, daí que a adesão sem resistência se torna assim o caminho mais fácil pela redução dos conflitos e compartilhamento de expectativas em relação ao futuro imaginado. A maioria segue o curso e jamais o contesta. Na verdade sequer o questiona, e dessa forma se constroem os ritos perpetuados ao longo de milênios pelas gerações em forma de religião. De origem latina, o termo “religião” vem de RELIGARE. Seu significado é de que, para nascer no seio da espécie humana, o homem precisa sair do ambiente divino onde foi gerado – o paraíso – e tomar ciência disso em seguida para religar-se a ele, restabelecendo a conexão que foi interrompida pelo nascimento.

P – Pode-se concluir por isso que as religiões fazem o papel de “muletas” para o homem caminhar com mais segurança?
R – Em termos práticos, sim. Mas tem um lado tenebroso dela quando lhe é ensinado que rebelar-se ou não seguir a mesma trilha dos que o antecederam é considerada falta grave e passível de punição. Uma espécie de “crime de lesa majestade”, uma "alta traição" no campo do divino, que irá condená-lo à rejeição eterna e a ser banido do convívio de Deus, a conhecida “Síndrome do Anjo Caído”. Alguns, em decorrência da lógica que vão construindo, percebem não fazer sentido um tipo de “entrega” compulsória, mesmo que não esteja convencido dela, e declara sua independência para montar seu próprio esquema de crenças. Mas, em se tratando de religião e dos medos envolvidos em contrariá-la, é sabido que a maioria prefere não enfrentar o desafio, no estilo daquele velho provérbio hispânico que diz: “Yo no creo en brujas, pero que los hay, los hay!”, ou seja, como não sei se existe ou não, melhor não arriscar!

P – E quando isso acontece adquire um peso esmagador na vida do individuo, a ponto de não conseguir se libertar nem pensar por si mesmo?
R – Correto. Ele passa a integrar o “rebanho” que precisa compartilhar o mesmo aprisco com todos os seus pretensos “iguais”, ou se perderá para sempre. É um processo bastante cruel pensar-se que o indivíduo, para ser aceito, precisa renunciar a sua própria lógica de entendimento para servir àquele deus-ditador que lhe cobra obediência cega. Então é bem mais confortável fechar os olhos que teimar em mantê-los abertos (correndo o risco do fogo do inferno), mergulhando o mais possível no rito herdado, sem voltar a questioná-lo pois que, a partir daí, o medo de se declarar livre já se instalou, e ele não mais tentará rebelar-se.

P – Voltando ao ponto, estaria aí a resistência para rejeitar tudo que o force a enxergar aquilo que se mostre fora do estabelecido?
R – Sim. É o ponto exato em que o individuo mergulha em sua casca de proteção, a mais grossa que encontrar, e desenvolve medo até de olhar para o lado de fora. Cria-se um mecanismo semelhante a uma “síndrome do pânico” onde, se puder, até se cimentam as janelas para não precisar olhar para fora, que é onde se posiciona o maior inimigo: o medo de descobrir uma verdade diferente daquela que construiu para si ou, pior ainda, que alguém construiu nele e não lhe deixou nenhuma opção de escape.

P – Fala-se que no meio científico a figura dos avatares indianos, de Budha ou até do Cristo se acredita terem chegado aqui como visitantes espaciais. O que há de real nessa tese?
R – Em se tratando de teorias científicas para explicar alguns fenômenos não explicados, não se pode falar em crenças, sendo considerado apenas como uma tese, ou hipótese, como você mencionou. Elas representam pressupostos desenvolvidos a partir de uma reunião de aspectos que formam sentido. Toda a história contada sobre Jesus, desde sua concepção até sua morte, envolveram fatos que não poderiam ser explicados dentro de uma linha científica: teria sido concebido por intercessão divina e nascido de uma mulher virgem, que contraria o caminho natural de qualquer procriação. Então, se aceitos esses fatos como verídicos, Jesus jamais poderia ser visto como um homem igual aos demais. A religião oferece a explicação mais simples: ao ser apresentado como personificação divina, todas essas coisas se concretizam pois que Deus pode tudo, e não há mais o que se questionar. Mas pela ótica da ciência, para que o afirmado sobre ele fosse aceito como real precisaria haver uma explicação menos simplória e mais plausível. Assim o anjo que anunciou a concepção a Maria e todos os fatos narrados até o nascimento da criança ficariam compreensíveis se atribuídos a uma abdução alienígena no mesmíssimo molde em que ocorre hoje: o ser chega do espaço (anjo) e a submete a uma experiência genética onde implanta o sêmen que daria origem ao embrião da criança. O problema da concepção por uma virgem estaria esclarecido , bem como o “milagre” da gravidez sem qualquer contato com um homem.

P – E todos os acontecimentos atribuídos a uma origem divina também seriam explicados, imagino.
R – Correto. E perceba como fica muito mais fácil compreender essa versão científica do que a divina à luz da lógica, posto que um ato realizado por Deus não fica sujeito a qualquer tipo de regra ou parâmetro para ser compreendido. Aceita-se, simplesmente, sem necessidade de buscar explicação para coisa alguma. Questão de fé, como se diz popularmente. E a fé é cega por definição. Não depende de qualquer fato, lógica ou sentido para ser aceita. Basta acreditar e está tudo resolvido.

P – Essa mesma linha de explicação se aplicaria aos milagres de Jesus, sua morte e ressurreição?
R – Imagine um viajante espacial com um conhecimento inimaginável para a época em que decidiu permanecer numa civilização bem inferior à sua. Ele estará munido de recursos completamente fora do alcance daquelas pessoas com as quais estará convivendo. A tecnologia de uma nave espacial que para nós consegue fazer curvas de 90 graus sem reduzir sua vertiginosa velocidade, mergulhar na água ou parar em pleno ar, pode perfeitamente permitir que um tripulante seu ande sobre as águas, erga-se no espaço por si mesmo e dedique-se a disseminar seu conhecimento por todos aqueles a quem veio desenvolver. Se pensarmos em Jesus como um desses seres, imediatamente se mudaria essa terminologia de “milagre” para “conhecimento” e “tecnologia” em nível avançado, nada mais! O que entendemos como a morte física, para um ser em tal nível de avanço biológico pode ser apenas um processo com que lida na sua rotina, como dormir e acordar. Então também se teria uma explicação para o que chegou até nós como sua morte e ressurreição.

P – Significa dizer que tudo o que se sabe da história contada sobre Jesus seria falso.
R – Não exatamente. Significa que tudo o que nos chegou com uma determinada interpretação pode ter acontecido de uma forma bem mais simples e explicável do que por efeito de uma intervenção sobrenatural, ou divina, como se queira. Pode-se questionar porque todos essas intervenções – ou milagres – aconteciam de forma tão rotineira nos primórdios do cristianismo e hoje seriam tão raros. A resposta é que o conhecimento da época não permitiria àquelas pessoas interpretar tais fenômenos de outra forma, mas se ocorresse hoje possivelmente se chegaria a um entendimento que não teria nenhuma conotação milagrosa, mas tão somente do domínio de certos processos desconhecidos na época.

P – As abduções, como as entendemos hoje, explicariam também o que os textos bíblicos apresentam como “arrebatamentos” de alguns de seus profetas aos céus, como se lê nas escrituras?
R – Sim. E assim como os “arrebatamentos”, vários episódios tidos como miraculosos poderiam ser compreendidos pelo mesmo processo. Desde a subida de Moisés ao Monte Sinai até a parada do sol por Josué, todos esses ditos milagres poderiam ser explicáveis a luz do que assistimos hoje nos recentes avistamentos dos OVNIs. A bíblia descreve o encontro de Moisés com Deus em uma “salsa que queimava”, que poderia ser uma nave espacial que o recolhera no monte. O “sol” de Josué seria apenas uma nave parada no ar, que de tão forte luz que produzia, observou a batalha travada funcionando como um farol em plena noite. Para Josué e seu exército, entretanto, a explicação mais logica é de um “sol” parado no espaço para ajuda-los na vitória. Na mesma passagem lê-se: “...o Senhor lançou sobre eles, do céu, grandes pedras, até Azeca, e morreram; e foram muitos mais os que morreram das pedras da saraiva do que os que os filhos de Israel mataram à espada”. Não seria algum raio de luz lançado da nave, cuja única explicação para seu efeito foi traduzida por lançamento de pedras, pois que era o recurso que se conhecia na época?

P – Por esse caminho pode-se explicar qualquer das passagens descritas como miraculosas...
R – Exato, lembrando apenas que tanto naquela época quando agora, a real explicação continua sob mistério. Por motivos óbvios as religiões não precisam encontrar explicação alguma, exceto a que se queira atribuir. Mas a ciência não pode abrir mão delas, e não se tomará como verdadeira qualquer interpretação que não apresente evidências conclusivas, para eliminar qualquer tipo de dúvida sobre como realmente teriam ocorrido os fatos. O que se está mostrando aqui é que a distância entre o que se conhece por “milagre” e realidade pode não ser tão grande como se pensa, tratando-se mais do conhecimento aplicado aos fatos do que uma interpretação própria buscada com o objetivo de explicar algo que ainda se desconhece.

P – Diante de algo tão simples de se entender, por qual razão então corre-se o risco de se estabelecer o caos com a revelação da verdade sobre os OVNIs?
R – Porque antes de revela-la seria preciso que quem tenha acesso a ela esteja preparado para processar o que irá descobrir. Isso passa por admitir que o que trazia de conhecimento até ali pode não ser a realidade, ou pelo menos estaria sujeita a correções de rota, os “ajustes” a que me referi anteriormente. Se as pessoas não tiverem isso em mente o caos gerado pelo pânico do desmoronar das estruturas vai acontecer, com toda certeza. Tem-se claras evidências, por exemplo, que os avistamentos desses objetos nos céus do planeta acontecem há pelo menos 5.000 anos. Imagine-se quanta coisa se consolidou nesse tempo no sistema de crenças das pessoas. Não seria nada fácil contrariar tanta coisa, ou pelo menos aquelas partes que por tanto tempo permaneceram refratárias a toda tentativa de “retoque”.



O principal objetivo aqui não é apresentar verdades prontas, mas discutir o tema para se chegar a hipóteses que agreguem entendimento. Se o que leu despertou-lhe o desejo de perguntar algo ou colocar sua própria opinião a respeito, use livremente o espaço de comentários para formulá-la ou a envie pelo endereço luizroberto.bodstein@gmail.com, que prometo responder tão breve quanto possível. 

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