O fenômeno OVNI e hipóteses sobre inteligência extraterrestre - Parte IV #5 S.IV/X
O Sagrado e o Profano – Seriam os deuses astronautas?
Em 1968 o suíço Erich von Däniken lançou um livro sobre a relação entre deuses mitológicos, edificações antigas e viajantes do espaço que promoveu um grande impacto no mundo todo, e o tornou conhecido como autor do best seller de maior sucesso de sua década ao lançar luz sobre todo o nosso esquema de crenças ancestrais. “Eram os Deuses Astronautas?” expôs as vísceras de um questionamento que habita o pensamento humano há milênios, mas só bem recentemente começou-se a juntar peças que lhe deram algum sentido.
P – Pode-se concluir que von Däniken teria tido motivação mais do que puramente ficcional para escrever “Eram os Deus Astronautas?”, no final dos anos 1960?
R – Seu relato pormenorizado sobre a relação entre história, religião e avistamentos de OVNIs deixa nítido que ele pesquisou bastante esse intrincado histórico que trazemos de contatos com seres extraterrenos desde as eras mais remotas do homem no planeta. E com todos os acontecimentos que vieram depois dele, agora se sabe que sua obra ia muito além de um livro de ficção que mistura fantasia e realidade, como “O Código Da Vinci” e “Ponto de Mutação”, de Dan Brown. Ele já tinha a visão para onde a grande parte dos nossos cientistas atuais migraram, o que demonstra que sabia das coisas. A diferença é que àquela época as informações eram mais incipientes, havia muito mistério e medo relacionados a ideia de uma invasão alienígena, e de “marcianos” que sequestravam humanos a partir do “Caso Roswell”, o da “invasão” de Washington e o de Antônio Villas Boas em 1957, que ainda eram bem recentes e criaram uma grande paranóia em torno do assunto.
P – Os ânimos atualmente estão mais calmos em relação a todo esse contexto das visitas do espaço?
R – Com toda certeza. Nos últimos 50 a 60 anos evoluímos muito na forma de compreender o fenômeno, ou pelo menos de buscar entendê-lo de uma outra forma a partir dessa amplitude de visão, saindo de cada caso de contato em si mesmo para o conjunto que pudesse emprestar uma lógica ao comportamento desses seres em relação a nós. Saindo daquela premissa de uma quantidade imensa de ameaças produzindo danos aleatórios nas pessoas, chegou-se a um entendimento mais provável, de uma raça superior observando, pesquisando e cuidando de outra não como inimiga ou conquistadora, mas para auxiliar em seu desenvolvimento. As peças reunidas ao longo de todo um histórico permitiram entender esse modus operandi sob a ótica da visão sistêmica, e então admitir-se que haveria um propósito muito maior por trás de cada ação, em vez de trata-los como meros aventureiros que estariam aqui apenas para se divertir conosco ou, pior ainda, para nos aterrorizarem com todo tipo de maldade.
P – Pode discorrer mais um pouco sobre o interesse de governos e religiões nos acobertamentos sobre contatos com extraterrestres?
R – Como já mencionado, se toda a verdade que se acredita esteja de posse das instituições vier de repente à tona, elas teriam um grande problema nas mãos para administrar, em relação às bilhões de pessoas no planeta que giram em torno delas, então é compreensível que sejam bastante cautelosos, e não apenas estejam ocultando tudo por uma mera questão de poder. Às instituições políticas, obviamente, caberá administrar um caos social que poderá se instalar pelo pânico generalizado contra a idéia de um inimigo comum vindo de fora que estaria aqui para conquistar a Terra com objetivo de dominar o planeta e escravizar seus habitantes, ou mudando-se para cá por ter o planeta deles em ameaça de extinção e precisando nos exterminar para ocupar nosso espaço, como já se pensou, ou ainda nos manipulando de todas as formas possíveis e imagináveis como se fôramos ratinhos de laboratório ou bichinhos de estimação.
P – Você está dizendo então que o pensamento atual a respeito deles é diferente.
R – Sim. Ele ainda persiste em alguns setores, mas apenas nos meios não habituados a pesquisar o assunto. Entre a comunidade científica, ufólogos que se dedicam de forma usual ao seu estudo, e entre órgãos governamentais que teoricamente ocultam as informações da massa da população, acredita-se que essa imagem de “guerra dos mundos” já ficou no passado. A lógica é simples: se esses viajantes espaciais estivessem aqui com esse pensamento beligerante de conquista, já tiveram tempo mais do que suficiente para concretizá-lo. Se não o fizeram por milênios, há uma razão muito maior por trás disso, então não há muito com que se preocupar nesse aspecto, até porque não há nada que possa ser feito a respeito, já que o poder deles se posiciona infinitamente superior ao nosso.
P – Dentro desse novo posicionamento quanto às intenções que trazem, qual é o receio maior então desse grupo seleto de pessoas que detém as informações sobre a presença deles entre nós?
R – A manutenção do estado de normalidade, tomada aqui como preservação do status quo. Os governos precisam garantir que tudo continue dentro do ordenamento de suas gestões, com as coisas funcionando de acordo com a legislação e posicionamento dos países conforme os conhecemos, e as instituições religiosas preocupam-se, e com toda razão, com a inevitável revolução dogmática que aconteceria a partir do momento em que seus adeptos – no sentido mais amplo da palavra – descobrissem que tudo o que lhes foi ensinado até aqui estava errado, e que seus deuses e anjos seriam apenas viajantes do espaço, seus santos e avatares apenas “enviados” deles para corrigir nossos enganos de rota, e suas escrituras sagradas nada mais do que “instruções de uso” para alguns poucos milênios antes de se fazer necessário inserir alterações na trajetória.
P – Uma total revolução de toda a estrutura social da humanidade e seu sistema de crenças!
R – Sem dúvida alguma. Imagine o que se passa nas cabeças que teriam que estar à frente de tudo para evitar o caos. Não dá para raciocinar então que façam de tudo para evitar que isso aconteça durante suas gestões, enquanto for possível prorroga-lo para as futuras gerações. O processo todo pode levar muito tempo, ou até mesmo nunca ser necessário acontecer o contato direto de que se alimenta enorme expectativa. Ele pode nem estar nos planos de nossos visitantes!
P – Em não estando, por que então se dariam a todo esse trabalho de seguir nos visitando sem interrupção ao longo dos séculos?
R – Já existem algumas teorias a respeito, como a “Hipótese do Zoológico” e a “Hipótese da Selva”, que tomaram proporção no meio científico a partir do que ficou conhecido como “Paradoxo de Fermi”, que trata de uma aparente contradição entre a grande probabilidade da existência de inteligências no espaço e a falta de elementos concretos para estabelecer contato, daí a necessidade de levantar-se diferentes hipóteses (https://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_de_Fermi). Ainda que as pessoas leigas levem o assunto na chacota, entre cientistas o assunto é estudado com bastante seriedade e se desenvolveu muitas teorias para tentar entender propósito das visitas alienígenas e para onde nos conduziriam, se é que exista um “destino” a ser alcançado. O que se concluiu até agora é pela existência de um “script” bem claro onde somos todos coadjuvantes, nossos governantes estariam colocados no papel de protagonistas e eles – os seres do espaço – os condutores, ou diretores da grande encenação cósmica. Como num enorme tabuleiro de xadrez, todos têm um papel que precisa ser cumprido a contento para que o roteiro prossiga e tudo se cumpra dentro do plano maior para preservação do macro-sistema. Trata-se de uma visão macro e muito interessante, que tanto afasta aquela paranóia de estarmos sendo atacados por “aventureiros cruéis” quanto empresta um sentido lógico e sensato a todas as ações deles, colocando-nos como importantes parceiros nessa empreitada.
O principal objetivo aqui não é apresentar verdades prontas, mas discutir o tema para se chegar a hipóteses que agreguem entendimento. Se o que leu despertou-lhe o desejo de perguntar algo ou colocar sua própria opinião a respeito, use livremente o espaço de comentários para formulá-la ou a envie pelo endereço luizroberto.bodstein@gmail.com, que prometo responder tão breve quanto possível.


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