O Caso Valdéz #13

 O controvertido “Caso Valdés” – a história do homem que desmentiu uma verdade aceita para introduzir uma versão inusitada da qual todos duvidaram.



O contexto histórico

Em 25 de abril de 1977 uma patrulha de 8 soldados liderados pelo cabo Armando Valdés Garrido, à época com 23 anos, prestava serviço de vigilância num aras na região de Pampa Lluscunha – hoje Parinacota – localizada numa região isolada de fronteira, em posto avançado entre o Chile, o Peru e a Bolívia, a 5 quilômetros do vilarejo de Putre, que ainda hoje possui apenas 1.500 habitantes. Os oito soldados faziam o patrulhamento do aras por conta da época conturbada vivenciada nos três países em ameaça de guerra durante a ditadura de Augusto Pinochet.

O acontecimento

Pouco depois das 4 horas da madrugada o soldado que fazia a ronda avista uma forte luminosidade saindo por detrás da montanha a pouca distância do aras, que piscava intermitente, ora se aproximando e ora se afastando, e produzindo intensa iluminação sobre toda a área a ponto de ofuscar a visão, impedindo que se percebesse mais nada em volta. Apavorado, o recruta corre para o alojamento e acorda os companheiros, saindo todos para campo aberto para saber de que se tratava.

Lá fora a luz continuava pairando sobre o campo, com sua luz intensa e ofuscante, o que apavorou os oito rapazes. O líder deles e mais graduado, o cabo Valdés, começa a gritar para quem quer que estivesse por trás da luz, que se identificasse, e como nada de diferente acontece e já em pânico, ele pede que se deem os braços e começa a rezar, aos gritos, segundo relato posterior de seus companheiros. 

Com a situação fora de controle e sem ter o que fazer já que completamente cegos pela luz durante longos minutos, acredita-se que 10 ou pouco mais, de repente os sete recrutas percebem que seu líder Valdés não mais se encontrava entre o grupo, e começam a gritar por ele, aumentando ainda mais o clima de tensão reinante. Narram posteriormente que rodaram por todo o local sob a intensa luminosidade gritando por Valdés por cerca de 15 a 20 minutos, mas sem lograr encontra-lo, até que um deles avista o companheiro caído no chão, na direção da luz e um pouco distanciado do local onde se encontravam, como se tivesse sido deixado ali saindo do nada por alguém que não conseguiram perceber. Todos os sete correm até ele, que parecia inconsciente no solo, e o percebem bastante alterado fisicamente: sua farda estava rasgada, tinha o rosto desfigurado, os olhos saltados das órbitas como que em estado de choque, balbuciando palavras estranhas de alerta aos parceiros, e todos eles sem saber o que fazer frente à situação de terror em que se encontravam, pois apesar de tudo a luz permaneceu pairando próxima a eles, o tempo todo, com o mesmo brilho intenso e ofuscante, como que observando seus movimentos.

Ao tentar carrega-lo para dentro o cabo assume uma voz alterada e muito diferente da habitual, dirigindo-se aos rapazes com uma espécie de mensagem que parecia ser transmitida por outra pessoa. Segundo relato dos recrutas ele lhes teria dito literalmente: “Vocês nunca saberão quem somos nem de onde viemos, e logo voltaremos!”. Humberto Rojas, um dos recrutas que testemunharam todo o evento, relatou em minúcias cada momento em entrevista, alguns anos depois e confirmando depoimento idêntico de todos os seus companheiros daquela estranha madrugada do inverno chileno, que atinge temperaturas muito baixas. Retomando a voz habitual, Valdés agora pedia socorro, gritando para que seus companheiros o ajudassem. Foi quando se deram conta de outro fenômeno que até hoje permanece inexplicável: o rosto do cabo estava coberto por uma barba de uma semana, que não tinha ao desaparecer 15 minutos antes, e seu relógio digital estava parado na data de 30 de abril, cinco dias após aquele em que tudo acontecia. O aspecto alterado de Valdés, que tremia muito e se mostrava muito pálido, induziu-os a acreditar que fosse pelo frio, já que atravessavam uma madrugada gelada, motivo pelo qual buscaram carrega-lo para dentro do aras. Eles o embrulharam numa coberta ainda do lado de fora para aquecê-lo, enquanto tentavam leva-lo para o interior.

Ineditismo, Reviravolta, e suas duas Versões

Tão logo o caso se tornou público, todos os especialistas em fenômenos anômalos e inexplicáveis, bem como a mídia da época, foram unânimes em afirmar que a narração de todos era coincidente demais para não ser real, bem como era muito pouco provável que o comportamento de Valdés não tivesse passado de uma encenação, dada a situação que todos vivenciaram juntos, por um período relativamente extenso de tempo, no mais absoluto terror. Seu estado tanto físico quanto emocional não permitiria que ele simplesmente estivesse simulando uma situação diferente da que todos haviam testemunhado por puro desejo de enganar os companheiros, pois o clima era efetivamente de pânico e grande desespero.

Além do mais, era uma época de ditadura militar, de guerra não declarada entre países vizinhos, estavam numa situação de fronteira diante de grandes riscos em seu próprio contexto, e nada conduzia a uma situação de mistificação por parte de qualquer testemunha. Outro fato indubitavelmente convincente foi o de que para aqueles jovens recrutas, onde até mesmo em tempos de paz uma simulação de tal repercussão poderia conduzi-los a uma corte marcial, já que estavam em serviço de vigilância militar, seria absolutamente incompreensível pensar que pensassem em fazê-lo em clima de guerra e sob um regime de ditadura rígida e cruel como a da era Pinochet, principalmente em se tratando de soldados sem nenhuma patente, que lhes oferecesse qualquer garantia de não sofrerem punições severas por seu comportamento. Tanto que, mesmo depois da grande repercussão do caso que extrapolou as fronteiras do país, o alto comando do exército jamais lhes impingiu qualquer tipo de punição nem lhes cobrou sigilo, posto que estava muito claro que todos haviam passado por uma situação bastante traumática e involuntária, o que afastou de imediato qualquer ideia de que desejassem simular o acontecimento.

Apesar de não haver muitas informações disponíveis sobre o momento e as circunstâncias em que aconteceram os fatos que se sucederam ao fenômeno, tem-se notícias de que os recrutas passaram por diversas investigações pelos mais diferentes órgãos locais e estrangeiros sobre a experiência que passaram juntos, e que o cabo Valdés, protagonista do suposta abdução por seres desconhecidos, foi levado a Nova Iorque onde foi submetido a uma regressão, onde confirmou cada detalhe do que ocorrera naquela madrugada de 1977, exceto nos 15 minutos em que permanecera desaparecido, e sobre os quais não reteve qualquer memória do que estivera sujeito naqueles momentos, limitando-se ao antes e ao depois que foram absolutamente coincidentes com o relato de seus companheiros, só que pela sua própria percepção em relação a tudo o que vira e sentira enquanto protagonizava os fatos. Não se tem relato de um único caso de contradição entre os sete recrutas e o próprio Valdés em todos os detalhes narrados por eles, o que emprestou convicção de que não mentiam e possivelmente foi o que os livrou de represália por parte de seus superiores, mesmo diante da enorme repercussão que o acontecimento gerou.

Após a queda do regime militar chileno, quando o caso não avançou mais do que os órgãos externos lhe geraram, o fenômeno pôde então encontrar mais reforço por parte dos envolvidos com sua vinda a público, agora livres do controle do regime, e foi quando todos eles tiveram oportunidade de dar entrevistas à imprensa local e mundial para contar a versão e participação de cada personagem no evento. O próprio Valdés foi convidado inúmeras vezes para entrevistas em canais oficiais de grande alcance no país e também pela mídia fora do Chile, entre os quais se destacou a que ofereceu em 2009 a um canal chileno, que até hoje se encontra gravado e disponível em muitos meios de comunicação que tratam de temas ufológicos pelo mundo (veja em  https://www.youtube.com/watch?v=QCOonZC7mJY&t=31s). Durante a entrevista apresentada ao vivo pela TV, o ex-cabo do exército chileno explica em detalhes toda a experiência presenciada pelos companheiros de farda, inclusive apontando no mapa do local como tudo teria acontecido, e montando croquis sobre cada movimento ocorrido naquele terrível 25 de abril de 1977 na fronteira norte do Chile.

A exemplo dessa, muitos outros depoimentos vieram, não pairando a menor dúvida de sua  veracidade em toda a comunidade científica, na mídia e entre as comunidades mundiais onde foi amplamente divulgada em todos os seus pormenores. O episódio, inclusive, foi minuciosamente descrito no livro de um escritor chileno, Patricio Abusleme, que descreveu minuto a minuto cada detalhe do acontecido aos oito jovens soldados. O mais surpreendente de tudo isso foi a reviravolta que essa história tão documentada sofreu, quando seu principal protagonista, o ex-cabo Armando Valdés, na ocasião com 58 anos de idade, veio novamente a público para desmentir tudo o que afirmara até aquela data, ao longo dos últimos 35 anos, e que, é evidente, chocou toda a opinião pública mundial que tomara conhecimento e se debruçara sobre o fenômeno nas últimas décadas.

O surpreendente a partir de sua postura foi o ineditismo de que foi revestido este caso, invertendo todo o histórico conhecido até então sobre a reação pública aos fenômenos ufológicos em qualquer parte do mundo. O que se tem como comum, e que sempre foi reproduzido nas dezenas ou até centenas de milhares de experiências desse tipo por todo o planeta, é o fato das pessoas que vivenciaram a experiência serem desacreditados por todas as demais, levando a uma movimentação em torno delas para provar que o fato teria sido consequência de mistificação ou se tratado de confusão com algum outro fenômeno natural ou produzido por artefato desconhecido, mas de origem terrestre, tese inclusive muito usada por comandos militares que estivessem buscando desacreditar ou mitigar as repercussões em torno das ocorrências. Contrariando essa lógica, o caso de abdução do cabo Valdés produziu um impacto totalmente diferente em quantos tomaram conhecimento dele: sua veracidade, diante das muitas análises realizadas ao longo de 3 décadas e de tantos testemunhos coincidentes, por envolver fatos inexplicáveis que não deixaram dúvidas sequer no seio do regime ditatorial da época, obteve amplo crédito de todos mas, incrivelmente, acabou sendo desmentido pelo próprio Valdés, que em 2013 revelou publicamente em entrevista exclusiva que nunca passara por nenhum fenômeno de abdução extraterrestre.

Imagine-se o impacto de uma entrevista bombástica desse tipo enquanto tudo o que se descobrira nos últimos 35 anos antes dessa declaração não fizera nada além do que constatar a legitimidade dos depoimentos, levantar as evidências físicas no local, e consolidar todos os fatos que chegaram a público sobre a experiência do militar – então cabo do exército do Chile – e seus sete recrutas em serviço naquela madrugada de 1977. Esse novo posicionamento de Valdés porém, ao invés de desconstruir tudo o que se sustentara até então, serviram para levantar dúvidas apenas sobre esse novo momento de sua principal personagem, e não de trazer luz sobre um pretenso fato forjado nas últimas décadas em que foi amplamente estudado no mundo inteiro, como geralmente acontece nos casos de um desmentido nessa proporção.

Aqui se concentra o ineditismo do “Caso Valdés”, como ficou conhecido: contrariando todo o que se acumulou em toda a história da ufologia mundial, neste episódio toda a opinião pública caminhou para confirmar o evento, enquanto o próprio protagonista da experiência veio depois a público para desmentí-la, sem porém convencer ninguém de que, desta vez, estaria falando a verdade.

Motivos das dúvidas sobre o desmentido e a reafirmação do fenômeno

A última declaração do ex-cabo, em que desmentia tudo o que dissera por tanto tempo, levantou fortes suspeitas sobre suas razões para fazê-lo tão tardiamente, bem como desacreditar tantos elementos que se reuniu desde o evento, bem como os depoimentos de seus companheiros que não se dispuseram a vir a público para confirmar a última versão. Ao contrário, suas opiniões em caráter privado só levantavam mais dúvidas sobre o verdadeiro motivo para Valdés voltar atrás numa história que atingiu um grau de credibilidade como poucas vezes ocorreu em toda a história da ufologia mundial. Foi descartada a hipótese de pressão governamental, posto que o Chile em 2013 já resgatara sua liberdade democrática, e Valdés sequer permanecera no exército, conduzindo o raciocínio portanto para uma motivação pessoal. Ao invés, porém, de conseguir o resultado aparentemente buscado por ele, Valdés só trouxe os holofotes para sua própria sanidade ou para alguma característica de sua personalidade que se desconhecia até então. Foi quando se descobriu que ele atualmente trabalhava como pastor de uma igreja evangélica no sul do país, e este foi o fio da meada puxado por aqueles que buscavam entender seus motivos para o desmentido, que possuía muito mais características – este sim – de algo forjado do que o próprio evento que lhe dera origem.

A começar pelo fato de que o agora Pastor Valdés não dera quase nenhum detalhe sobre a pseudo realidade que disse ter vivido durante o evento, e as poucas de que fez uso só reforçaram o sentimento de que ele só mentira uma única vez, que foi justamente nesta última  em que veio a público para fazer o desmentido. Para agravar o fato, a história de que Valdés fez uso para justificar sua súbita e tardia mudança de opinião só levou mais dúvidas sobre suas intenções, e reforçou ainda mais o que já se conhecia de sua história antes disso. Na nova versão ele declarou que tudo não passara de “uma má interpretação do relato de seus soldados” (sic). Explicou que quando os recrutas o perderam de vista, ele simplesmente tinha entrado no alojamento para urinar, levando os companheiros a supor que desaparecera na luz, explicação essa que foi considerada estapafúrdia e sem qualquer sentido por todos que o ouviam, sem contar que se apresentava como convidado de um grande evento da comunidade ufológica do Chile – o 2º. Encontro Ufológico de Maipu – justamente para apresentar seu testemunho sobre o evento mundialmente conhecido.

Quando sua última versão chegou ao conhecimento do público através da imprensa, a reação foi pior ainda. As pessoas queriam saber, por exemplo, como é que ele entrara no aras para fazer um “pipi” que tivera a duração, minimamente, de 15 minutos. Também questionaram como é que uma pessoa no comando de um grupo de pessoas transtornadas, no auge de uma experiência que deixara a todos no mais completo pânico, simplesmente abandonou o local “para urinar”, como se nada estivesse acontecendo de anormal, com o agravante de que era ele a autoridade maior dentre todas aquelas pessoas que presenciavam o fenômeno. Pareceu ridícula a versão de alguém que, no meio de uma situação fora de controle que beirava o absurdo, sente vontade de urinar, age como se dissesse: “vou ali fazer um pipi e já volto” e tranquilamente passasse 15 minutos no banheiro, para depois voltar e se deitar nas areias do local próximo aos companheiros. Ainda que a pressão na bexiga tivesse sido verdadeira, o mais natural para qualquer pessoa naquela situação seria urinar nas próprias calças, em vez de entrar para ir ao banheiro, obviamente. Causou profunda estranheza ainda o fato de Valdés jamais ter titubeado num único detalhe de sua história durante os 35 anos que se sucederam ao evento, repetindo-o com toda consistência e a segurança de alguém que viveu algo realmente extraordinário, e agora se apresentava de uma forma tão tosca e inconsistente para desmenti-lo sobre argumentos que não conseguiriam obter crédito nem por parte de uma criança.

A declaração de 2013 – tanto no momento em que foi feita como posteriormente – nunca esclareceu os outros detalhes que envolveram os fatos minuciosamente narrados por seus soldados, entre os quais se destacam dois aspectos de enorme relevância e amplamente estudados depois: o de Valdés ter ressurgido do sumiço temporário ostentando uma barba de aproximadamente uma semana, e trazer o calendário de seu relógio digital indicando uma data de 5 dias à frente, o dia 30 de abril, quando estavam amanhecendo no dia 25. Não se precisa de muito mais que isso para que os especialistas que o ouviram fazerem associação direta com Einstein e sua Teoria da Relatividade, no que toca à diferença de tempo quando se viaja a grande velocidade no espaço. Não se conseguiu chegar, portanto, a nenhuma explicação para que, no pequeno intervalo de 15 minutos, sua barba tivesse crescido ao que precisaria de pelo menos 5 dias para que sua aparência, ao ser encontrado, se mostrasse possível, mesmo admitindo a hipótese que o relógio tivesse apresentado um problema, ainda que isso normalmente resulte em uma parada num tempo anterior, e nunca num tempo futuro.

Envoltas em tantos enigmas, as tentativas de Valdés para justificar a “confusão” só aumentavam, a cada nova explicação, a certeza de que desta vez é que ele estaria contando uma versão falsa, e não antes, como queria fazer acreditar. Tampouco explicou como o encontraram tão desfigurado e em estado de choque após uma tranquila ida ao banheiro de 15 minutos, e nem porque dissera aos companheiros a famosa frase de sentido inexplicável com uma voz que não era a sua. Há de se convir que essa versão mais recente o aproximava do tradicional provérbio em que “a emenda ficou pior do que o soneto”, diante de tudo o que já tinha dito até então. O conhecido estudioso e ufólogo respeitado do Chile, Rodrigo Fuenzalida, concedeu entrevista após a declaração de Valdés que sua versão se mostrava no mínimo pouco digna de crédito, quando apenas 4 anos antes estivera contando todos os detalhes do episódio ao vivo em um importante canal chileno de TV.

Lembrou ele que Valdés aparecia na capa de um jornal religioso como conhecido pastor evangélico de uma igreja no sul do país, e que o fato provavelmente explicaria sua última versão, já que essas igrejas reconhecidamente costumam atribuir episódios de abdução por extraterrestres a possessão demoníaca, tratáveis com exorcismo por pastores que se dedicam a “expulsar o demônio” das pessoas. Lembra que o ex-militar sempre demonstrara possuir uma religiosidade próxima do fanatismo, pois que sua reação durante a experiência de 1977 foi pedir que todos se dessem os braços e rezassem junto com ele, numa postura típica de quem busca a solução para seus medos nas próprias crenças. Nesse contexto não seria difícil concluir que ao alcançar o posto máximo de sua instituição religiosa, Valdés simplesmente repetisse a versão que lhe fora ensinada em concordância com os dogmas professados no novo meio que assumiu para si e estivesse buscando agora ser coerente com ele, o que faz sentido pelo menos em termos de entendimento de sua atitude pelos parâmetros de normalidade mental, ou de pessoa que efetivamente não havia ainda dado sinais de desvios de caráter.

A leitura feita pelo cientista, substituindo um caso de doença mental por outro de crença levada ao extremo de uma “lavagem cerebral” – típica de ambientes frequentados por pessoas com tendência a ver tudo pela ótica da fé – foi a que acabou prevalecendo como a mais razoável para explicar uma mudança tão súbita e drástica na versão do episódio vivenciado por ele e seus companheiros de farda. E isso não implicaria, necessariamente, que ele estivesse mentindo para as pessoas, mas apenas que teria se deixado influenciar pela explicação que lhe foi dada pelos integrantes de sua igreja, e a estaria repetindo pela ótica que naquele momento lhe atribuía e que, obviamente, não entrava em conflito com a sua fé. Na sua opinião, mesmo não correspondendo aos fatos que efetivamente ocorreram, o agora pastor Valdés estaria afirmando para os outros um preceito que nos últimos tempos construíra para si mesmo e na qual, em resumo, seria aquela em que passou a acreditar.

Ele complementou que atribuir fatos inexplicáveis a manifestações satânicas são bastante comuns entre pessoas pouco esclarecidas ou muito envolvidas com questões religiosas que temem questionar, e que isso é bastante diferente do propósito de esconder fatos ou buscar propositalmente enganar pessoas, citando como exemplo a versão do exército chileno no mesmo ano de sua explosiva entrevista na TV, quando se absteve de manifestar-se a respeito e minimizou a realidade da patrulha envolvida no evento com o intuito de desqualifica-los em sua importância. De “patriotas” numa posição de vigília na fronteira para defender sua pátria, os militares os apresentaram como um simples grupo de recrutas designado para guardar um estábulo, chegando a trocar por um "rebanho de ovelhas" os mais de 1000 cavalos cuidados pelos soldados num local de fronteira estratégico para o exército.

O caso da suposta “abdução do cabo Valdés”, como ficou conhecido internacionalmente, inverteu a lógica mais comum de uma mistificação que caiu no ridículo para a de um grande e verdadeiro mistério que acabou descaracterizado por seu próprio protagonista. Este foi um dos casos mais emblemáticos da ufologia mundial, tanto pelo inquestionável conjunto de evidências que se reuniu quanto pela inusitada e posterior conclusão oferecida por quem o protagonizou..

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