A Noite Oficial dos OVNIs foi o termo adotado por pesquisadores brasileiros para descrever o episódio de identificação de diversos objetos voadores não identificados (OVNI) sobrevoando os céus de quatro estados brasileiros, de acordo com informações do Comando da Aeronáutica em 19 de maio de 1986.
Cerca de vinte e um objetos de intensa luz multicolor, segundo narração das autoridades aéreas e registros de radar, foram detectados pelo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo - CINDACTA I, que tem sua sede na capital federal.
A revoada de OVNIs, nunca vista em tal quantidade, permaneceu visível ao longo de pelo menos três horas, tendo sido observada nos estados de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A situação chegou a tal ponto que o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) considerou a segurança de voo sob ameaça principalmente no estado de São Paulo, onde se concentra o maior número de rotas aéreas do país e onde os OVNIs se mostraram mais ativos.
O fenômeno levou o Alto Comando da Força Aérea Brasileira a deflagrar duas operações de interceptação e perseguição dos objetos por caças F-5E Tiger II e Dassault Mirage III, um partindo da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e outro da Base de Anápolis, em Goiás.
Devido à grande repercussão do episódio, captado por radares civis e militares dos estados que sobrevoaram, o então Ministro da Aeronáutica - o Tenente-Brigadeiro do Ar Octávio Júlio Moreira Lima - concedeu uma entrevista coletiva à imprensa juntamente com os pilotos dos caças, confirmando os acontecimentos observados durante grande parte da noite, razão para o episódio ter ficado conhecido como a Noite Oficial dos OVNIs. Mesmo nos dias atuais, em que muitos avistamentos são registrados pelas mais diferentes fontes, não se tem notícia de outro evento em que o alto comando da força aérea de algum país tenha comparecido a uma coletiva de imprensa ao vivo para confirmar a ocorrência, inclusive se fazendo acompanhar dos pilotos que realizaram a perseguição dos objetos pilotando seus caças, durante as horas em que se mantiveram à vista.
Em 25 de setembro de 2009 foi divulgado o relatório oficial da Força Aérea Brasileira sobre o caso, que assim o descreveu: "Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem, de certa forma, inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores, como também voar em formação, não forçosamente tripulados."
Em outubro de 2015, o Arquivo Nacional disponibilizou um total de 16 áudios da chamada 3ª remessa do "Fundo OVNIs" (denominação para o acervo os documentos relativos à Ufologia disponibilizados através da Lei de Acesso à Informação, entre os quais aparecem oito gravações das conversas entre pilotos e controladores aéreos, assim como o sistema de defesa brasileiro naquela noite de 19 de maio de 1986. Nos áudios fica claro que dezenas de objetos foram captados por radar, sendo por várias vezes observados e perseguidos pelos pilotos, demonstrando comportamentos inusitados durante todo o episódio.
Até então o Brasil não havia atuado no sentido de admitir a presença de visitantes interplanetários, pelo menos oficialmente, e muito menos realizar um compartilhamento público dos registros de que era possuidor. Configurou-se portanto um fato inédito na ufologia mundial, em que um comando militar veio a público reconhecer oficialmente o contato visual e tecnológico com tais fenômenos. A grande repercussão se deveu ao fato de que, pela longa duração em que os objetos se mantiveram visíveis a quem quisesse observá-los ou registrá-los em vídeo, no dia seguinte o fenômeno já aparecia em toda a mídia não só do país como também no exterior, notadamente pelo significativo número de objetos - vinte e um ao todo - executando evoluções erráticas sobre os céus de São José dos Campos, em São Paulo, que em nada se pareciam com as de qualquer aeronave conhecida.
Referências
Ver também:
https://canaltech.com.br/curiosidades/confira-os-audios-da-aeronautica-registrado-na-noite-oficial-dos-ovnis-67107/
FATORES MAIS FORTES DE CRÉDITO PARA A NOITE OFICIAL DOS OVNI's:
1. Não se tratou de fato isolado, mas de eventos simultâneos captados nos radares de vários estados, revelando a incrível velocidade com que os objetos venciam enormes distâncias para serem avistados em locais tão afastados uns dos outros quase que ao mesmo tempo;
2. Contrariando a prática mais comum, os fatos foram levados a público já no dia seguinte e em detalhes pelo próprio alto comando das Forças Armadas, obtendo ampla divulgação nos meios de comunicação do país e do exterior.
3. Os fatos não tiveram apenas testemunhas civis, mas militares atuando em todas as suas fases com uso de caças da Aeronáutica, e amplamente acompanhados por toda a mídia, o que justifica sua divulgação oficial instantânea, já que inegável;
4. Todos os órgãos de controle aéreo subordinados ao CINDACTA, que acompanharam as aparições e perseguições aéreas, detectaram os fatos minuto a minuto em seus radares e os dados foram divulgados por toda a mídia;
5. A sequência de eventos trazida a público apresentou elevado nível de detalhamento reconhecido e abertamente descrito pelas autoridades envolvidas;
6. Não se viu necessidade de retenção de dados com divulgação posterior pelos militares, uma vez que, havendo farto registro realizado por tantos órgãos da grande mídia no momento em que aconteciam, não havia razão nem como se poder acobertá-los em nome da segurança nacional, como é a orientação mais comum no meio militar.
7. Por efeito de amplo acompanhamento público em tempo real durante todo o período de três horas em que o fenômeno ocorreu, este foi um dos poucos casos em que não houve desmentidos nem registros ocultos em relação aos fatos.
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